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Eficiência operacional avança no varejo supermercadista, mas perdas ainda desafiam o setor

Painel da ABRAS destaca evolução nos indicadores, papel da tecnologia e da gestão de pessoas, além de apontar gargalos como perdas não identificadas e controle de estoque

De Redação SuperHiper
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A busca por eficiência operacional segue como uma das principais agendas do varejo supermercadista brasileiro, impulsionada pela pressão sobre margens, mudanças no comportamento do consumidor e necessidade de maior produtividade. Durante painel promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), especialistas do setor discutiram avanços recentes, desafios persistentes e estratégias para transformar processos em geração de valor.

A mediação foi conduzida pela jornalista Luciana Martins, que destacou a relevância do tema no cenário atual. “A eficiência operacional deixa de ser um controle de perdas e passa a representar geração de valor, sustentabilidade e capacidade de execução”, afirmou. Segundo ela, os dados mais recentes mostram que, embora o setor tenha atingido 98,18% de eficiência, ainda há espaço significativo para evolução, especialmente na gestão de perdas.

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Um dos momentos do encontro foi a homenagem ao diretor do Comitê de Eficiência Operacional, Ederson Fernandes, reconhecido por sua atuação no desenvolvimento de práticas no setor. “As pessoas podem copiar tudo o que a gente faz, mas não o que a gente é”, destacou Fernandes, citando Abílio Diniz ao reforçar a importância da cultura organizacional na busca por resultados consistentes.

Resultados

Na análise dos indicadores, foi apresentado que parte relevante das empresas conseguiu crescer em faturamento ao mesmo tempo em que reduziu perdas, sinalizando ganho real de eficiência. Ainda assim, há um grupo significativo que expandiu receitas, mas viu as perdas acompanharem esse crescimento, o que acende um alerta sobre a qualidade da gestão operacional.

Entre os principais desafios, a perda não identificada ganhou destaque. Para a assessora do conselho do Jaú Serve, Lilia Coelho, esse é um dos pontos mais críticos. “Quando a gente conhece a perda, por mais danosa que ela seja, a gente pode agir sobre ela. Quando a gente desconhece, não sabe qual é a verdadeira causa”, explicou. Segundo ela, falhas no controle de estoque podem gerar impactos em cadeia, como ruptura, excesso de compras e distorções na lucratividade.

A diretora administrativa do J. Pavani Supermercados, Flavia Borges, reforçou que, embora a tecnologia seja fundamental, o fator humano ainda é determinante. “A quebra está muito na mão das pessoas, nos processos e em como isso está sendo gerido pela liderança. Uma ferramenta na mão de pessoas não treinadas não resolve muita coisa”, afirmou.

No campo da prevenção de perdas, o head do Tenda Atacado, Osmar Chamelette, destacou a evolução pós-pandemia, mas alertou para o crescimento da perda desconhecida. “A gente percebe que a perda operacional conhecida está sob controle das lojas, mas a perda desconhecida ainda exige muita atenção”, disse. Ele também ressaltou o uso de tecnologia e centralização de monitoramento como estratégias para reduzir fraudes internas e externas.

Sobre inventários, Lilia destacou que não existe um modelo único, e que cada empresa deve desenvolver sua própria metodologia. “A empresa precisa encontrar o melhor método. O resultado melhora à medida que aprendemos mais sobre nossos processos e produtos”, afirmou, citando o uso de sistemas híbridos e controle detalhado de categorias como carnes, frutas e hortifrúti.

Outro ponto debatido foi a importância da agregação de valor para reduzir desperdícios, especialmente em FLV (frutas, legumes e verduras). A adoção de coprodutos, como itens higienizados e prontos para consumo, tem contribuído não apenas para diminuir perdas, mas também para gerar receita adicional e melhorar margens.

O painel evidenciou que, apesar dos avanços, a eficiência operacional no varejo supermercadista ainda depende de uma combinação equilibrada entre tecnologia, processos bem estruturados e, principalmente, gestão de pessoas. A evolução dos indicadores mostra que o caminho está sendo trilhado, mas o desafio de reduzir perdas e aumentar a produtividade permanece no centro das estratégias do setor.

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