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Transição e eficiência: o grande desafio do varejo frente à reforma tributária

Especialistas debatem os impactos operacionais da nova tributação e alertam: a sobrevivência no setor supermercadista dependerá de organização, tecnologia e união associativa

De Redação SuperHiper
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A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de siglas ou alíquotas; é uma reestruturação profunda do modelo de negócios do varejo brasileiro. Durante painel “Gestão do Risco Fiscal na Transição Tributária”, realizado no dia 28 de abril no Smart Market ABRAS 2026, em São Paulo, lideranças do setor discutiram como a transição — prevista para ocorrer entre 2027 e 2032 — exigirá um esforço hercúleo das empresas para gerir dois sistemas tributários simultâneos sem perder a margem no caixa.

Alessandro Marceddu, Diretor Jurídico do Grupo Koch, e moderador do debate, enfatizou que a reforma deve ser encarada com pragmatismo e humildade técnica. Para ele, o tema não pode ficar restrito a planilhas isoladas.

“A reforma não vem mudar só o imposto. No Grupo Koch, buscamos esgotar o assunto, trocando informações com muita humildade para tentar crescer. É um caminho que será bem-vindo”, afirmou Marceddu.

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Desafio da convivência de sistemas

Um dos pontos mais sensíveis é o custo de conformidade. Nelcina Tropardi, VP de Legal, ESG & Corporate Affairs do Grupo Carrefour, destacou que o varejo já gasta, em média, quatro meses e meio por ano apenas para cumprir obrigações tributárias vigentes. A chegada da lógica de débitos e créditos do novo sistema altera a precificação e a parametrização de notas fiscais.

“Estamos trocando o pneu com o carro a 150 km/h; essa é a sensação. No Carrefour, montamos um grupo de trabalho com todas as áreas, pois a reforma afetará a todos. Estamos mapeando cerca de 400 sistemas que precisarão de parametrização. Quem estiver mais organizado e conhecer melhor o seu negócio sobreviverá melhor”, alertou Nelcina.

A executiva também reforçou a importância do papel das associações para levar as dúvidas técnicas ao governo, já que, “o diabo mora nos detalhes” da implementação.

Gestão comercial e tecnologia

Para Jorge Domingos, Gerente Comercial e Administrativo do Grupo Bom Sabor, o setor vive um paradoxo: a necessidade de acelerar a adaptação enquanto as ferramentas governamentais ainda não estão prontas. Ele comparou o momento a “pilotar um carro de Fórmula 1 com o motor ainda em desenvolvimento”.

“O desafio é enorme e o tempo é curto. A IA é uma realidade que vai ajudar como viabilizadora, mas não resolverá os problemas sozinha. A integração das equipes é fundamental. A reforma vai mudar o produto, a margem e até a forma como negociamos com os fornecedores”, pontuou Domingos, lembrando ainda que o calendário eleitoral pode influenciar prazos e regulamentações.

Futuro da operação

Ao final, o consenso entre os painelistas foi de que a tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial e novos KPIs de monitoramento, será o braço direito para evitar gargalos operacionais. O objetivo final é atravessar o período de transição para alcançar um sistema mais transparente e simples, focado especialmente no consumidor final, garantindo que o varejo continue saudável e competitivo.

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