Por Giseli Cabrini
O varejo alimentar consolidou-se como o principal campo de batalha para a categoria de sucos prontos. Segundo pesquisa da Mosaiclab, encomendada pela Tropical (detentora de marcas como Tial e do bem), 79% das compras da categoria são feitas em supermercados e hipermercados. Na sequência, aparecem os atacarejos (40%), seguidos pelos mercadinhos de bairro (36%).
A decisão de compra é majoritariamente tomada no ponto de venda: 67% dos consumidores buscam as prateleiras tradicionais, enquanto 60% recorrem às áreas refrigeradas.
Fatores de decisão: sabor e “clean label”
Embora o sabor (61%) ainda lidere os critérios de escolha, a busca por qualidade (53%), preço (52%) e saudabilidade (43%) refletem uma mudança gradual nas expectativas do consumidor em relação à categoria.
A fidelidade às marcas é baixa: o brasileiro alterna, em média, entre quatro marcas diferentes, tornando a visibilidade no ponto de venda um fator crítico.
Outros destaques:
- Sabores favoritos: uva (67%) e laranja (59%): preferência detectada nas três capitais analisadas: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte
- Frequência: 3 vezes por semana
- Formatos: 1 litro (62%), 1,5 litro (23%) e 2 litros (18%)
O poder da embalagem
Para 81% dos consumidores, o design e o formato da embalagem são motivos suficientes para trocar de marca na gôndola. “A embalagem funciona como uma mídia própria, sinalizando qualidade e ingredientes naturais”, destaca o diretor de Marketing da Tropical, Bernardo Erse.
Tendência: o “efeito GLP-1” e a saudabilidade
O estudo revela uma migração clara dos néctares e refrescos para os sucos integrais (100% fruta). Esse movimento é impulsionado por:
- Transparência nutricional: busca por produtos sem conservantes e sem alertas frontais.
- Impacto das “canetas emagrecedoras”: o uso de medicamentos à base de GLP-1 tornou os consumidores mais atentos a calorias vazias e açúcares.
Ainda segundo o executivo da Tropcial, esse olhar também se traduz na própria construção do portfólio, que contempla opções alinhadas à redução de açúcar e calorias voltadas a diferentes ocasiões de consumo e públicos, incluindo formatos voltados ao segmento infantil, como o tamanho 200 ml.
Metodologia da pesquisa
O levantamento faz parte de um estudo mais amplo sobre o mercado de bebidas prontas, conduzido com consumidores entre 18 e 65 anos das classes A, B e C nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Importante detalhar que as questões são estimuladas e múltiplas. Ou seja, são mostradas ao consumidor as alternativas para que escolham uma ou mais.
Além de mapear hábitos de consumo e comportamento de compra, a pesquisa também analisa a percepção das marcas e os fatores que influenciam a escolha do consumidor dentro de uma categoria que combina tradição, praticidade e crescente demanda por produtos percebidos como mais naturais.
“Trata-se de uma categoria presente no cotidiano das famílias, com alta frequência de compra e inserida em um mercado altamente competitivo, no qual diferentes marcas disputam a atenção do consumidor. O cenário aponta para um mercado dinâmico e competitivo, no qual as marcas precisam manter relevância constante junto ao consumidor e acompanhar a evolução das expectativas e do valor percebido no momento da compra”, afirma a diretora de área da Mosaiclab, Elizabeth Salmeirao.
Redes
No Grupo TOP, os sucos prontos vêm ganhando cada vez mais relevância dentro da cesta de bebidas, principalmente nas versões integrais com 100% fruta. “Temos observado essa tendência tanto na Rede TOP (varejo) quanto no Preceiro Atacadista (atacarejo). Trabalhamos com mix parecido nas duas, mas com estratégias promocionais distintas: no varejo temos campanhas promocionais voltadas mais para quem busca saúde e praticidade; no atacarejo, o foco maior é para giro e abastecimento”, explica o diretor comercial da rede, Douglas Campestrini.
Em relação à composição do mix, segundo o executivo, a principal diferenciação envolve as que exigem refrigeração e aquelas que não demandam esse recurso. Dessa forma, cada categoria acaba tendo uma estratégia diferente de exposição e promoção.
“Os sucos refrigerados vêm ganhando cada vez mais destaque nas vendas. Por estar mais aderido ao tema da saudabilidade, esse segmento está ganhando maior importância para o shopper. Hoje, contemplamos nos dois formatos tanto a opção do refrigerado como em gôndolas tradicionais. Ainda que exista sim uma influência quanto a embalagens [as PETs estão dominando as vendas], o ponto saudabilidade hoje é o maior diferencial que o shopper busca, optando por produtos integrais e com menor lista de ingredientes.”
De acordo com o diretor comercial do Grupo TOP, os medicamentos à base de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” reforçam essa tendência. “Os usuários desse tratamento tornam-se extremamente atentos às calorias vazias e açúcares adicionados. As vendas de néctares (com açúcar e conservantes) perdem espaço para os sucos 100% fruta e integrais. A busca por funcionalidade cresce e sucos que ajudam na digestão devem ganhar espaço no carrinho. Por isso, estamos reforçando a presença de produtos “clean label” em nosso sortimento.”
Outra iniciativa da rede é ampliar a oferta de produtos refrigerados, buscando parcerias com fornecedores cujo portifólio converse com a demanda por saudabilidade. “Além de opções familiares, reforçamos as ações em produtos de consumo imediato e público infantil”, finaliza Campestrini.