Por Renato Müller
O novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, deu o primeiro passo para realizar uma de suas promessas de campanha para combater a alta dos preços dos alimentos. Na cerimônia que marcou seus primeiros 100 dias no cargo, Mamdami revelou que o mercado de La Marqueta, no Harlem, receberá a primeira unidade do programa de supermercados do município.
O ponto de venda, que deverá ser inaugurado no segundo semestre de 2027, será o primeiro de pelo menos 5 unidades (uma em cada bairro da cidade) que o prefeito prometeu inaugurar em seu mandato. Para divulgar o local, Mamdani “pegou um atalho”, uma vez que o local já é de propriedade da prefeitura: La Marqueta (localizado na Park Avenue, 1590, na altura da Rua 115) é hoje um dos seis mercados públicos operados pela NYCEDC.
Esse também é um lugar com uma longa história. La Marqueta foi inaugurado em 1936 pelo prefeito Fiorello LaGuardia como Park Avenue Retail Market, em um local onde, até então, ambulantes se reuniam de maneira informal. Entre os anos 30 e 50, a região se tornou o centro da comunidade de imigrantes portorriquenhos, dominicanos, cubanos e mexicanos – foi quando o East Harlem passou a ser chamado de Spanish Harlem e o mercado, de La Marqueta.
Hoje, La Marqueta conta com mais de 20 pequenos negócios, entre restaurantes, ONGs e galerias de arte, e emprega 120 pessoas. Pelo programa de supermercados municipais, um espaço de cerca de mil metros quadrados será construído do zero. A ideia é que as lojas públicas vendam itens de cesta básica a preço de custo.
“Não podemos aceitar quando mesmo as necessidades mais essenciais, como colocar comida na mesa, fiquem fora de alcance. E isso tem acontecido com boa parte da população da cidade. Queremos assegurar que todo novaiorquino, independente de sua renda ou CEP, tenha acesso a alimentos frescos e nutritivos por um preço que possa pagar”, declarou Mamdani.
Pelo modelo de negócios dos supermercados públicos, a cidade será dona dos terrenos e cobrirá os custos de aluguel e construção. Uma empresa privada, contratada em uma licitação, cuidará da operação diária e será obrigada a repassar as economias de custo diretamente aos consumidores em uma cesta de produtos essenciais.
O projeto do prefeito vem encontrando oposição. A New York Association of Grocery Stores (NYACS), uma coalizão de lojistas da cidade, disse no ano passado que lojas controladas pelo estado ameaçam a existência de pequenos lojistas e prejudicam a rede de distribuição de alimentos da qual os moradores da cidade dependem diariamente.
“Operamos em margens muito apertadas e nossos custos operacionais estão entre os maiores do país, incluindo impostos exorbitantes e taxas de aluguel e trânsito”, afirma David Schwartz, diretor da NYACS. Para Fernando Mateo, da United Bodegas of America (outra associação de pequenos negócios), os supermercados municipais não resolvem o problema. “Serão 4 ou 5 em uma cidade de 8 milhões de pessoas. Haverá filas imensas de manhã e no fim do dia, causando mais confusão do que efeito prático”, critica.