Por Giseli Cabrini
A celebração do Dia do Churrasco, nesta sexta-feira (24), destaca o momento de ascensão do varejo alimentar brasileiro no mercado de proteínas animais. O levantamento “O que o brasileiro pensa sobre a carne”, realizado pelo Instituto Qualibest, confirma o protagonismo do setor diante da evolução desses itens nos carrinhos do País.
Em paralelo, a MBRF — que detém marcas consagradas como Sadia, Perdigão e Marfrig — reforça essa tendência ao destacar que o setor supermercadista deixou de ser apenas um ponto de venda. Atualmente, ele assume um papel de curador, orientando as escolhas do cliente, facilitando a tomada de decisão e elevando a experiência de compra durante as celebrações.
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No mapa do consumo, super e hipermercados lideram a preferência
Segundo a pesquisa, supermercados e hipermercados são os canais preferidos dos brasileiros na hora de comprar carne bovina (69% das respostas), superando os açougues (60%). O varejo alimentar se completa com outros formatos relevantes:
- Mercados/minimercados de bairro: 39%
- Atacados/atacarejos: 37%
- Hortifrútis: 7%
Quanto ao consumo, 72% dos entrevistados pretendem manter o patamar atual. O percentual dos que planejam reduzir ou aumentar o consumo é o mesmo (12%), enquanto apenas 1% deseja interromper o consumo de carne. Essa preferência é justificada pelo hábito e pela aceitação do produto na rotina alimentar.
Sobre o futuro, 57% dos participantes acreditam que a carne continuará a ser a principal proteína brasileira. Menor impacto ambiental e mais segurança e qualidade ocupam o topo das expectativas do consumidor.
Consumo semanal (duas ou mais vezes):
- Frutas, legumes e verduras (FLVs): 81%
- Frango: 71%
- Carne bovina: 63%
- Suínos: 21%
- Peixes: 15%
MBRF: varejo alimentar ocupa posição estratégica
A MBRF analisa o papel do varejo alimentar na venda de proteína animal no Brasil. Confira a seguir entrevista exclusiva do diretor de Trade Marketing, CIEX e Omnichannel da MBRF, Marcelo Suárez, concedida ao site de SuperHiper.
Na sua opinião, qual a importância que o varejo alimentar tem para a venda de proteína animal em geral no Brasil?
Ele ocupa uma posição estratégica. Mais do que um simples canal de venda, é o ambiente onde o consumidor avalia, compara e decide, influenciado por fatores como marca, conveniência, qualidade, experiência de compra e preço. Cada tipo responde de maneira distinta a esse ambiente. A carne bovina depende da percepção de qualidade no ponto de venda, sendo sensível ao preço. As aves representam a base do consumo nacional pela acessibilidade, enquanto a suína, em crescimento, exige um trabalho estruturado de educação do consumidor. Em todos os casos, a execução no ponto de venda — com nível de serviço e disponibilidade — é determinante para a conversão.
De que forma a MBRF olha para esse canal?
Enxergamos o varejo como um parceiro na construção de demanda por meio de um modelo de colaboração (joint business plans), projetos de categoria e ativações com uso de dados. Essa visão estratégica beneficia o varejo (giro e rentabilidade), a indústria (força de marca) e o consumidor (confiança e assertividade).
Qual a estratégia para cada formato de varejo?
Nos supermercados e hipermercados, o foco está na experiência de compra, com sortimento amplo, exposição qualificada e espaço para inovação. Já no atacado e atacarejo, a prioridade é volume e competitividade, com packs econômicos e propostas claras de valor. Nos hortifrútis, trabalhamos com foco em frescor e qualidade, especialmente para produtos “in natura”, enquanto nos mercados de bairro a estratégia é centrada em conveniência, reposição frequente e proximidade com o consumidor. Cada canal cumpre uma função específica, e a eficiência está justamente em entender e potencializar esses papéis dentro de uma visão integrada.
Pensando no portfólio da MBRF, qual é o foco para 2026?
Nossa estratégia está ancorada em três pilares principais: acessibilidade, conveniência e valor agregado. A acessibilidade segue sendo impulsionada por proteínas mais competitivas, como aves, que têm grande relevância no consumo cotidiano. Ao mesmo tempo, observamos um crescimento importante da conveniência, com produtos prontos e semiprontos ganhando espaço à medida que o consumidor busca praticidade no dia a dia. Já o valor agregado consiste em oferecer uma experiência mais premium coligadas com determinadas ocasiões de consumo e no fortalecimento de categorias como in natura, com foco em qualidade e diferenciação. Do ponto de vista regional, o Brasil apresenta dinâmicas bastante distintas. Sul e Sudeste, por exemplo, têm maior penetração de produtos de valor agregado, enquanto o Centro-Oeste mantém forte consumo de bovinos e Norte/Nordeste com margarinas. Isso exige uma estratégia com ajustes de portfólio e comunicação de acordo com os hábitos locais.
A proteína está em alta devido a mudanças nos hábitos de consumo. Como a MBRF olha para isso?
Há uma clara reorganização do consumo e uma priorização do orçamento, o que impacta diretamente a decisão sobre quais proteínas consumir e em quais ocasiões. Para a MBRF, esse movimento se traduz em um portfólio mais flexível, com maior capacidade de atender diferentes perfis de consumo. Também intensificamos o foco em inovação e na construção de soluções que dialoguem com ocasiões específicas, desde o consumo do dia a dia até momentos mais indulgentes.