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Consumo em transformação: lares monoparentais avançam no Brasil

Entenda por que e como diferentes arranjos familiares alteram a dinâmica das gôndolas e das categorias, bem como a lealdade às marcas

De Redação SuperHiper
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Os diferentes arranjos familiares vêm redesenhando o consumo de bens de consumo massivo (FMCG) no Brasil especialmente em meio à fragmentação das compras e à busca por maior controle dos gastos. Atualmente, 35% dos lares brasileiros são monoparentais, um crescimento expressivo de 7,7 pontos percentuais em nos últimos 4 anos (2021 versus 2025), enquanto 28% são formados por casais com filhos. Essa mudança estrutural reforça o avanço das famílias não convencionais e cria novas oportunidades — e desafios — para a indústria e o varejo alimentar.

A recomposição dos lares brasileiros mostra que o consumo não está apenas encolhendo ou crescendo — ele está se transformando. Entender como cada estrutura familiar prioriza categorias, marcas e ocasiões é fundamental para que a indústria e o varejo alimentar atuem com mais precisão, relevância e empatia em um cenário de maior pressão orçamentária.

Lares com apenas um chefe de família: mais abertos a marcas líderes e fiéis

Os lares monoparentais, caracterizados por apenas um chefe de família, perfil mais jovem e maior concentração no Norte, Nordeste e Grande São Paulo, consolidam-se como um importante driver de desenvolvimento, especialmente via crescimento de volume.

Da variação de valor (3,2 pp) e volume comprado (1,8 pp) no total FMCG entre 2024 e 2025, esses lares registram avanço de 1,6 e 0,4 pontos percentuais respectivamente. Eles também se destacam pela maior frequência de compra em produtos de tiers mainstream e premium em comparação ao total de lares. Além disso, apresentam maior lealdade a marcas nas categorias de mercearia doce e salgada e higiene & beleza.

Casais com filhos: foco na racionalização de gastos

Já os lares de casais com filhos reduzem sua contribuição em volume total dentro da cesta de bens de consumo massivo, refletindo maior racionalização das despesas. Isso é ainda mais acentuado entre os lares com filhos em idade pré-escolar ou adolescente, que registram contribuição negativa de 1,6 p.p. em volume e 1 p.p. em valor.

Apesar desse ajuste, esses lares não abrem mão de categorias estratégicas ligadas à indulgência e à praticidade. Mercearia doce, com itens como biscoitos, leite condensado e achocolatados, segue em crescimento, impulsionada por ocasiões como lanche da tarde e momentos de consumo sem complicação.

O premium e a saudabilidade em alta

Também chama atenção o fato de que, mesmo sob pressão orçamentária, o tier premium mantém relevância. A migração para marcas “economy” ocorre de forma menos intensa do que o esperado, indicando que diferenciação, confiança e percepção de valor continuam sendo atributos decisivos na escolha do consumidor.

Por outro lado, observa-se redução de consumo e lealdade em refrigerantes, enquanto cresce a busca por alternativas associadas à saudabilidade, como chá em pó, suco concentrado e suco natural.

Os dados acima são do estudo trimestral Consumer Insights, da Worldpanel by Numerator, que aprofunda como os produtos adquiridos são, de fato, utilizados pelas pessoas dentro desses lares – com base em mais de 53 bilhões de ocasiões de uso em alimentos e bebidas.

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