Por Giseli Cabrini
“O jogo só acaba quando termina”, a frase popularizada no Brasil pelo dirigente Vicente Matheus pode também ser aplicada aos reflexos da Copa do Mundo Fifa 2026 sobre o varejo alimentar neste ano.
O impacto do cenário econômico no consumo durante o evento
Diferentemente de edições anteriores, neste ano, o mundial “entra em campo” desfalcado pelo impacto da inflação e do endividamento sobre a renda das famílias, bem como das incertezas no panorama internacional. Além disso, o desinteresse do brasileiro pelo megaevento chega a 26%, o que promete mudar o padrão de consumo no País durante o torneio.
Estudos mostram que o nível de interesse dos torcedores está diretamente ligado à forma como as pessoas se organizam para assistir aos jogos — influenciando desde o planejamento de compras até os canais de consumo.
Tendências de comportamento: conveniência e última hora
Diante de um ânimo mais morno da torcida brasileira a tendência é de menos planejamento e mais busca por conveniência — o que acaba contagiando até os torcedores mais apaixonados — com forte presença de decisões de última hora.
Portanto, em 2026, a Copa no Brasil deve ser vivida mais como uma ocasião social e de entretenimento do que como um evento estruturado na rotina do consumidor.
Entre os brasileiros que pretendem acompanhar os jogos, o consumo tende a ser mais espontâneo:
- 49% não realizam planejamento prévio para compras relacionadas às partidas;
- o churrasco lidera as preferências, com 38%.
(Fonte: Estudo Rumo ao Mundial, da Worldpanel by Numerator)
Em contrapartida, devido ao horário dos jogos do Brasil neste mundial, outro levantamento da Worldpanel by Numerator mostra que 90% dos torcedores pretendem assistir aos jogos em seus lares — reforçando a demanda por soluções que economizem tempo e evitem deslocamentos.
Estratégias para o varejo alimentar: categorias e canais
Diante de tal cenário, para virar o jogo e emplacar mais vendas com a sazonalidade, o varejo alimentar deve apostar em dois fatores-chave: agilidade e conveniência. E privilegiar categorias tradicionalmente mais buscadas nas chamadas compras de última hora:
- Bebidas: água, cervejas e refrigerantes;
- Snacks: salgadinhos e pipocas;
- Churrasco: carnes e acompanhamentos;
- Prontos para consumo: pizzas e itens de rotisseria;
- Saudáveis: versões sem açúcar, zero álcool e alimentos para fritadeiras elétricas.
Também ganham relevância iniciativas como combos prontos, ofertas acionadas durante os intervalos das partidas, integração com redes sociais, comércio conversacional (WhatsApp) e parcerias com plataformas digitais.
O protagonismo dos minimercados autônomos
Considerando essa conjuntura, os minimercados autônomos em condomínios tendem a ganhar força. Diferente do varejo tradicional, o modelo se volta para compras de conveniência, reposição rápida e consumo imediato, exatamente o comportamento que se intensifica nesses períodos. Mas o que outros formatos do varejo alimentar podem aprender com ele?
O diferencial dos mercadinhos de condomínios está na combinação entre agilidade e tecnologia. A proposta é resolver compras em poucos minutos, sem filas ou deslocamentos, além de antecipar comportamentos, como identificar padrões de consumo em dias de jogos e ativar ofertas personalizadas em tempo real.
Visão da InHouse Market
- Varejo de proximidade: grandes eventos consolidam o modelo de conveniência em condomínios, onde o torcedor prioriza resolver a compra em poucos minutos para não perder os jogos.
- Perfil de público: jovens adultos (20 a 35 anos) priorizam a comodidade e segurança, aceitando pagar um prêmio para evitar filas e deslocamentos.
- IA e personalização: o uso de inteligência artificial permite criar combos em tempo real (exemplo: cerveja + amendoim) e otimizar estoques conforme o perfil de consumo local.
- Fricção zero: a estratégia foca em uma jornada de compra ágil e disponível 24/7, acompanhando o aumento do consumo dentro de casa.
Visão do Grupo Uni-X (Enxuto Aqui)
- Expansão e modelo: o mundial tende a impulsionar o modelo de franquias operado com a tecnologia da buybye. A expectativa é chegar a 300 unidades nos próximos cinco anos.
- Sortimento direcionado: o foco está em packs promocionais, tamanhos família para consumo compartilhado e o teste de novos produtos sazonais.
- Operação dinâmica: a gestão de estoque deve ser preditiva, baseada no calendário dos jogos, com reposições frequentes para evitar a ruptura de produtos.
- Ativação do shopper: uso de combos temáticos e parcerias com a indústria para gerar visibilidade e competitividade no autosserviço.
- Conexão emocional: ambientação visual temática e comunicação digital personalizada via app transformam o mercado em parte da experiência da Copa.
- Valor agregado: o sucesso na Copa depende da união entre conveniência tecnológica, disponibilidade de produtos e conexão com o momento do consumidor.

