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Preço da cesta de 35 produtos de largo consumo sobe 2,20% em março, maior alta do trimestre

Feijão sobe 28,11% no acumulado do trimestre; leite longa vida, ovos e carne bovina também pressionam preços; Frete, clima e oferta mantêm risco de pressão sobre os alimentos

De Amanda Leiria
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O Abrasmercado — indicador que acompanha a variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo — registrou alta de 2,20% em março, a elevação mensal mais intensa do primeiro trimestre. Nos meses anteriores, as variações haviam sido de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro. Com o resultado, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por fatores como logística, clima e câmbio, além das condições de oferta ao longo das cadeias produtivas. Indicadores do mercado agrícola sugeriram cenário mais equilibrado no agregado, embora com comportamentos distintos entre produtos. No feijão, a oferta mais restrita elevou a volatilidade. Entre as proteínas, a carne bovina manteve viés de alta sustentado pela demanda externa, enquanto ovos e leite avançaram por fatores sazonais e recomposição de preços.

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Para os próximos meses, o cenário ainda apresenta risco de alta em parte dos alimentos, especialmente nos itens mais sensíveis a frete, clima e oferta. “A alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias mais longas e intensivas em logística, com potencial de repasse para alimentos”, analisa Marcio Milan.

Entre os produtos básicos, a principal elevação veio do feijão (+15,40%), seguido pelo leite longa vida (+11,74%). No acumulado do trimestre, o feijão sobe 28,11%, enquanto o leite longa vida avança 6,80%. Também subiram a massa sêmola de espaguete (+0,91%), a margarina cremosa (+0,84%) e a farinha de mandioca (+0,69%).

Em sentido oposto, as principais quedas entre os básicos foram observadas em açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).

No grupo das proteínas, os preços apresentaram comportamento misto. Houve avanço nos ovos (+6,65%), na carne bovina – corte do traseiro (+3,01%) e no corte do dianteiro (+1,12%). Já frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) registraram recuo no mês. No acumulado do trimestre, a carne bovina – corte do traseiro sobe 6,29%, refletindo a manutenção do viés de alta da proteína bovina.

Entre os alimentos in natura, o avanço foi expressivo, com destaque para tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, as altas chegam a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, evidenciando impacto relevante da sazonalidade e da dinâmica de oferta.

Nos itens de higiene pessoal, os preços avançaram em sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%).

Já na limpeza doméstica, houve elevação no detergente líquido para louças (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%). A única queda do grupo foi registrada no sabão em pó (-0,29%).

Análise regional

Entre as regiões, o Nordeste registrou a maior variação de preços em março, com avanço de 2,49%, elevando o valor médio da cesta de R$ 720,53 para R$ 738,47. O resultado mantém a região com o menor custo médio entre as cinco macrorregiões, ainda que com aceleração relevante no mês.

O Sudeste apresentou elevação de 2,20%, com a cesta passando de R$ 822,76 para R$ 840,86, refletindo avanço relevante no valor médio da cesta no mês.

No Sul, a alta foi de 1,92%, levando o valor médio de R$ 871,83 para R$ 888,57. Mesmo com variação inferior à observada no Nordeste e no Sudeste, a região segue entre as de maior custo médio do país.

No Centro-Oeste, a cesta subiu 1,83%, avançando de R$ 753,20 para R$ 766,96, mantendo-se em faixa intermediária de preços no comparativo nacional. Já no Norte, houve elevação de 1,82%, com o preço médio passando de R$ 875,01 para R$ 890,93. Apesar de não liderar a variação mensal, a região continua concentrando os maiores valores médios da cesta entre todas as regiões do país. O movimento de março indica avanço disseminado de preços em todas as regiões, com maior intensidade no Nordeste e manutenção dos maiores custos médios no Norte e no Sul.

Recorte: cesta de 12 produtos básicos sobe 2,26% em março

No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional avançou 2,26% em março. Com o resultado, o valor médio passou de R$ 336,80 para R$ 344,40.

As principais pressões de alta vieram do feijão (+15,40%) e do leite longa vida (+11,74%), seguidos por carne bovina – corte do dianteiro (+1,12%), massa sêmola de espaguete (+0,91%), margarina cremosa (+0,84%) e farinha de mandioca (+0,69%).

No sentido oposto, as quedas mais relevantes foram registradas em açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (0,30%), queijo muçarela (-0,28%) e farinha de trigo (-0,24%).

Regionalmente, o Sudeste liderou a variação em março, com alta de 2,73% e custo médio de R$ 357,52, influenciado por aumentos relevantes em itens como carne bovina – corte do dianteiro (+2,60%, ante média nacional de +1,12%) e leite longa vida (+11,01%).

O Norte registrou a segunda maior alta, de 2,09%, levando a cesta ao valor médio de R$ 424,06. No Centro-Oeste, a elevação foi de 1,83%, com preço médio de R$ 336,10, enquanto o Sul avançou 1,75%, alcançando R$ 363,12. Já o Nordeste apresentou a menor variação entre as regiões, com alta de 1,58%, e valor médio de R$ 304,30.

Capitais e regiões metropolitanas

Entre as capitais e regiões metropolitanas, os menores valores médios da cesta de 12 produtos seguem concentrados no Nordeste. Em março, Fortaleza registrou R$ 298,93, Recife R$ 303,02, São Luís R$ 303,13, Aracaju R$ 306,25 e Salvador R$ 310,18, mantendo a região no menor patamar de custo médio do país. No Centro-Oeste, os preços permaneceram em faixa intermediária, com
Brasília (R$ 334,88), Goiânia (R$ 335,82) e Campo Grande (R$ 337,60), indicando relativa homogeneidade regional. No Sudeste, a cesta apresentou patamar superior ao observado no Nordeste e

no Centro-Oeste, com Grande Vitória (R$ 350,41), Rio de Janeiro (R$ 354,82), Belo Horizonte (R$ 359,82) e São Paulo (R$ 365,01), refletindo estrutura de custos mais elevada nas grandes áreas metropolitanas.

Já no Sul, Curitiba registrou R$ 362,50 e Porto Alegre R$ 363,73, mantendo-se entre os maiores valores fora da região Norte.

O Norte segue concentrando os preços médios mais elevados da cesta, com Belém (R$ 422,73) e Rio Branco (R$ 425,38), mantendo a região no topo do ranking nacional de custo médio.

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