Diante do aumento no preço final do chocolate, mesmo com a queda na sua principal matéria-prima: o cacau, e de outras variáveis que pressionam o bolso dos brasileiros, a parceria entre o varejo e a indústria ganha protagonismo na Páscoa 2026. Mais do que negociar preço, os supermercadistas têm apostado em ações conjuntas para garantir giro e evitar estoque parado, com iniciativas que vão desde campanhas digitais até a montagem de combos e kits promocionais no ponto de venda.
“A melhor estratégia é ter a indústria sempre ao seu lado, fazendo junto com ela ações compartilhadas que faça com que o estoque desses itens sazonais possa escoar. Ações digitais e combos são sempre bem aceitas pelos consumidores”, afirma o gerente comercial dos Supermercados Redeconomia, Mario Letra. Na prática, esse movimento se traduz em maior presença das marcas nas lojas, ativações, melhor exposição nas gôndolas e ofertas combinadas, que ajudam a aumentar o tíquete médio e reduzir a sensibilidade ao preço.
Ao mesmo tempo, o varejo ajusta o mix para acompanhar a mudança no comportamento de compra, que não se limita à Páscoa, mas já é percebida em outras datas sazonais. A busca por equilíbrio no orçamento tem impulsionado a migração para itens com melhor custo-benefício, sem abrir mão de produtos de maior valor agregado para públicos específicos.
“Ano após ano as vendas vêm diminuindo. Em 2025, já houve uma migração para venda de barras, e acredito que este ano isso se mantenha. Existe, na minha opinião, uma parcela para produtos mais premium que atingem parte da população que aceita gastar um pouco mais”, avalia o executivo do Redeconomia. Com isso, as varejistas ampliam o sortimento, equilibrando ovos de Páscoa tradicionais, barras, caixas de bombons e linhas premium, além de reforçar alternativas dentro da própria operação.
Marca própria
É nesse ponto que a produção própria ganha força como diferencial competitivo. No Supermercado Princesa, a estratégia foi investir na capacitação da equipe e no desenvolvimento de um portfólio exclusivo para a data, em parceria com a indústria.
“Tivemos uma parceria com a Flash Rio, com dois dias de treinamento para toda a nossa confeitaria, trabalhando um cardápio específico de Páscoa (…) entendendo que talvez não sejamos tão competitivos em relação ao ovo de Páscoa, buscamos alternativas dentro da nossa própria confeitaria”, explica a analista de Marketing dos Supermercados Princesa, Jaqueline Pereira. Entre as apostas estão brownies, colombas e sobremesas sazonais, pensadas para oferecer qualidade com preços mais acessíveis.
Uma nova lógica de sazonalidade
A leitura mais precisa do consumidor tem sido fundamental para orientar essas decisões. Segundo Jaqueline, a mudança de comportamento é estrutural e impacta diretamente as estratégias do varejo: “O consumidor não mudou o comportamento só na Páscoa, mas em todas as datas sazonais. Esse novo shopper que está mudando um pouco a cabeça. Então, com certeza, isso vai refletir na Páscoa”, afirma a analista de marketing do Princesa. Esse novo perfil exige maior assertividade nas ações comerciais, com foco em conveniência, preço e percepção de valor.
Para reduzir riscos e aumentar a eficiência, o uso de dados se tornou peça central no planejamento das redes. “Aqui no Princesa, a gente trabalha muito olhando para o nosso CRM, entendendo qual é o comportamento de compra do nosso consumidor. Pegamos o período do último ano, vemos como ele se comportou e, a partir disso, tomamos as decisões”, explica Jaqueline.
Além das informações internas, a rede também utiliza dados de mercado para embasar estratégias. “Também avaliamos os dados para entender quais produtos crescem e quais têm retração no mercado. Então é um olhar muito baseado em números, tanto do nosso consumidor quanto do mercado”, destaca Jaqueline.
Fonte: Asserj