Por Clilson Filippetti
Conselheiro certificado e CEO da CL Consultoria Comercial, especialista em gestão comercial com MBA pela FIA e pós-graduação em Marketing e Administração. Sua expertise em governança corporativa em empresas familiares, aliada à experiência em Sales & Operations Planning, o torna um parceiro estratégico para empresas que buscam excelência em seus resultados
O tema da próxima edição reflete a urgência das empresas em adaptar seus modelos de negócios diante das transformações aceleradas, impulsionadas por IA, automação, dados em tempo real e digitalização.
Há muito tempo frequento a NRF, uma fonte de inspiração para todos que vivem o varejo. Eu, que atuo como consultor, conselheiro e palestrante, além de escrever regularmente sobre o setor, não poderia deixar de participar.
O tema da próxima edição reflete a urgência das empresas em adaptar seus modelos de negócios diante das transformações aceleradas, impulsionadas por tecnologias, inteligência artificial (IA), automação, dados em tempo real e digitalização do consumo.
As tendências e os temas a seguir estão sendo amplamente discutidos em artigos e coberturas especializadas, tornando-se o foco principal das conversas sobre o futuro do varejo nos Estados Unidos e, naturalmente, no Brasil.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A inteligência artificial deixa de ser concepção e passa a atuar como uma ferramenta prática, capaz de personalizar experiências, prever demandas e otimizar operações. Nos Estados Unidos, a própria jornada de compra começa a ser moldada por sistemas autônomos, com a IA operando nos bastidores para criar experiências contínuas e invisíveis, desde recomendações personalizadas até plataformas conversacionais que comparam produtos e acompanham o cliente em múltiplos dispositivos.
SUSTENTABILIDADE
A sustentabilidade torna-se parte estrutural das estratégias de varejo, não mais uma iniciativa isolada. Redes como a Whole Foods Market e a Whole Foods Daily Shop (subsidiária da Amazon) exercem papéis pioneiros na curadoria dessas tendências.
EXPERIÊNCIA
Nos Estados Unidos, 50% dos consumidores utilizam serviços de click and collect e 45% realizam compras por transmissões ao vivo (live commerce), mostrando um comportamento híbrido em que o físico e o digital se complementam na busca por conveniência.
CANAIS DIGITAIS
O varejo alimentar estadunidense vive um crescimento consistente nos canais digitais. A previsão para 2025 indica aumento de 5% no e-commerce de alimentos. Walmart e Amazon lideram o setor. O Walmart destaca-se nos perecíveis graças à extensa rede física, que funciona como hub logístico, e a Amazon direciona esforços para produtos não comestíveis, impulsionada por modelos de assinatura como o Prime.
Comportamentos como click and collect, transmissões ao vivo para compras e sistemas de recomendação impulsionados por IA mostram que o consumidor está migrando para uma jornada híbrida, um ambiente no qual físico e on-line se complementam.
CONVENIÊNCIA E VALORES
Nos Estados Unidos, a digitalização avança rapidamente. Cerca de 45% dos consumidores já compram por meio de transmissões ao vivo, um sinal claro de mudança no comportamento de compra. Isso cria um ambiente híbrido em que varejo físico e on-line se complementam para entregar mais conveniência e agilidade.
A busca por praticidade é decisiva. Formatos como drive-thru, e-commerce e pontos de retirada seguem em expansão. Paralelamente, cresce o público que escolhe marcas alinhadas a seus valores pessoais, sociais e ambientais, um fator que redefine sortimento, comunicação e posicionamento das redes.
TENDÊNCIAS GLOBAIS
Lá fora, além do avanço digital, o comportamento de consumo nos Estados Unidos acompanha movimentos globais: crescimento dos produtos plant-based, maior oferta de orgânicos acessíveis, embalagens sustentáveis e atenção redobrada à saúde e ao impacto ambiental. Redes como Whole Foods e Wegmans ilustram bem esse percurso, combinando tecnologia, curadoria de produtos e práticas responsáveis.
Em conjunto, essas tendências revelam um varejo alimentar que avança rumo à inovação digital, ao atendimento personalizado e a portfólios mais sustentáveis, enquanto adapta suas operações para ganhar eficiência e elevar a experiência do consumidor — um reflexo das profundas transformações internas e externas que moldam o setor.
REALIDADE LOCAL
Por aqui, o varejo supermercadista brasileiro chega a uma encruzilhada estratégica. O estudo “Top Five Consumer Trends Set to Reshape Retail in 2026”, da Capgemini, mostra que os consumidores, sobretudo os mais jovens, passaram a valorizar “momentos sobre mercadorias”, priorizando experiências no lugar de apenas produtos.
Nesse contexto, marcas próprias ganham força, apoiadas por análises avançadas de dados e inteligência artificial, que permitem personalização, eficiência e respostas rápidas ao comportamento do público.
Outro movimento decisivo é o avanço do varejo “sem busca”, modelo em que o produto passa a encontrar o cliente. Combinando IA generativa, assistentes digitais e ecossistemas conversacionais, a jornada de compra deixa de depender da busca ativa e se torna mais fluida, intuitiva e personalizada. Plataformas como o ChatGPT permitem comparar itens, receber recomendações e ter o suporte de “verdadeiros companheiros digitais autônomos”, presentes em múltiplos dispositivos ao longo do dia.
Nos bastidores, a IA opera de forma quase invisível: sistemas de autoatendimento com visão computacional, check-out automatizado e reconhecimento de produtos simplificam a experiência e tornam a jornada contínua, natural e integrada. É uma mudança estrutural que redefine conveniência e cria expectativas para o consumidor brasileiro.
A grande lição para o Brasil é clara: tecnologia avançada, foco genuíno no cliente e responsabilidade socioambiental deixaram de ser escolhas — são condições de sobrevivência. A inteligência artificial, combinada a experiências diferenciadas e práticas sustentáveis, será determinante para a competitividade, relevância e longevidade no setor supermercadista.