Por Renato Müller
Um dos princípios organizacionais da Amazon é “erre rápido” (fail fast). A empresa leva a sério esse mantra, descontinuando projetos assim que eles demonstram não ter capacidade de gerar resultados sólidos – foi assim, recentemente, com as lojas Amazon Fresh e Amazon Go, por exemplo. Mas às vezes a big tech de Seattle entra no modo “erre muito rápido”.
Foi o que aconteceu com o projeto Blue Jay de robôs autônomos para Centros de Distribuição de entrega no mesmo dia (same-day delivery). As operações do sistema foram descontinuadas em janeiro, menos de três meses após seu lançamento. Fatores como custos altos, complexidade de fabricação e manutenção e problemas na implementação do sistema causaram o fim da operação.
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Apesar do fim abrupto, a Amazon continua confiante nos ganhos que podem ser obtidos com a automação das suas operações logísticas – tanto que partes da tecnologia do Blue Jay serão aplicadas em outros projetos. A empresa está no meio de um processo de substituição da antiga plataforma de same-day delivery, a Local Vending Machine (LVM), para um novo sistema, batizado internamente de Orbital.
A grande diferença é que o Orbital é um sistema modular, feito de vários componentes que podem ser organizados em diferentes configurações. Com esse design adaptável, a Amazon quer facilitar a implementação de sistemas logísticos e dar escala mais rapidamente a eles, especialmente em microssistemas de fulfillment dentro das lojas da rede de supermercados Whole Foods.
Existe uma razão econômica fortíssima para que a Amazon amplie seus investimentos em robôs na logística. No mês passado, o analista Brian Nowak, do Morgan Stanley, projetou que o uso de tecnologias robóticas avançadas pode gerar uma economia anual de US$ 10 bilhões para a Amazon até 2030. Segundo ele, para cada 10% de pacotes processados por meio de Centros de Distribuição automatizado, a empresa pode ter um ganho de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões.