Até pouco tempo atrás, conveniência era sinônimo de velocidade. Hoje, porém, vem assumindo outros sentidos, mais ligados ao bom uso do tempo do que propriamente a gastar menos segundos. O próprio consumidor mudou sua percepção e tem buscado produtos que se encaixem em sua rotina, facilite o dia a dia, não exija preparação e faça sentido dentro de sua visão de mundo.
A conveniência evoluiu e a curadoria ganhou relevância. Para os supermercados, não se trata mais de vender produtos: é hora de “vender tempo”. A curadoria de produtos, e edição do sortimento, o layout intuitivo da loja e a entrega de emoção e encantamento passam a fazer parte dessa equação.
É o que empresas como Whole Foods, Wegmans e Target têm feito, transformando áreas da loja em centros de entretenimento e prazer. Nessa visão, a padaria deixa de entregar pães e passa a ser um local de emoção e estilo de vida, por exemplo. E a sinalização da loja também muda, acompanhando essa virada: em vez de cartazes de ofertas, a comunicação fala de “projetos de fim de semana”, “impressione” ou “prepare hoje à noite”. O cross de produtos também vai além das vendas, recomendando categorias a partir de momentos de consumo. Os displays contam histórias em vez de promover ofertas.
Por trás disso, um objetivo: transformar a rotina em rituais, para que o tempo investido na loja seja intencional e valha a pena.
Outra área em que os supermercados americanos têm inovado é na seção de congelados. Em vez de um apelo à funcionalidade, a categoria também vem ganhando emoção. A Target, por exemplo, filtra os itens congelados em seu site de acordo com a ocasião: “jantares plant-based”, “conforto feito pelo chef”. A Kroger, por sua vez, colocou telas digitais nas portas dos freezers das lojas, transformando um espaço em branco em uma oportunidade de storytelling.
A reinvenção dos formatos
A conveniência também vem sendo apresentada na forma como os produtos são apresentados aos clientes. Posicionamento nas gôndolas, tamanho das porções e embalagens são formas de inovar na curadoria dos produtos e, com isso, fazer com que os clientes usem melhor seu tempo.
Nessa tendência, estão embalagens de snacks que podem ser fechadas novamente e cafés concentrados ou em porções unitárias. Redes como Whole Foods e Erewhon têm se destacado na venda de produtos que geram conveniência por meio de sua apresentação aos clientes: áreas de microconveniência perto dos checkouts apresentam itens em embalagens unitárias ou refis reutilizáveis, fazendo com que até mesmo pasta de dente ganhe um jeito premium.
Os melhores varejistas americanos já entenderam que forma e função estão integrados e sinalizam modernidade, inovação e respeito ao tempo dos clientes. E essa, hoje, é a máxima conveniência.