Mais do que um gesto social, a rede Bistek Supermercados tem implementado em suas lojas um novo modelo de gestão para lidar com uma das maiores ineficiências do setor: o desperdício invisível. E, assim, a operação deixou de tratar as perdas apenas como “quebra contábil” e passou a redirecionar alimentos ainda próprios para consumo de forma estruturada, com ganhos logísticos, econômicos e ambientais.
Em 14 meses, foram mais de 91 toneladas de alimentos reaproveitados, o equivalente a R$ 1 milhão em produtos e 150 mil refeições complementadas, além de uma economia estimada de 84 mil quilos de gás carbônico.
O projeto teve início de forma experimental em três unidades do grupo e, com os resultados operacionais e o impacto gerado, foi rapidamente expandido. Atualmente, 14 supermercados da varejista já operam com o modelo de coleta estruturada, e a expectativa é alcançar 20 até o fim do ano.
A partir da tecnologia desenvolvida pela startup Infineat, o varejista passou a identificar, categorizar e redirecionar produtos que perderam valor comercial, mas permanecem próprios para consumo. Isso inclui hortifrútis, laticínios, grãos, pães e carnes. Todo o processo é registrado em uma plataforma que conecta os estabelecimentos a organizações sociais parceiras e viabiliza o reaproveitamento com eficiência logística e rastreabilidade.
Para o diretor de Prevenção de Perdas do Bistek, Sebastião Nobre, a principal mudança está na lógica de como as perdas passaram a ser tratadas. “Antes, o descarte era inevitável. Agora conseguimos estruturar um processo contínuo, com regras claras, rastreabilidade e resultados que vão além da redução do desperdício. O ganho é logístico, ambiental e social”, afirma.
O diretor de Marketing da rede, Wagner Ghislandi, destaca a aderência da iniciativa à cultura da empresa. “É um projeto que traduz bem o que acreditamos. Estamos falando de eficiência, de sustentabilidade e de responsabilidade social com impacto mensurável. Conseguimos evitar o descarte de mais de 91 toneladas de alimentos e ainda gerar economia para as organizações não
governamentais (ONGs) atendidas, tudo com tecnologia, dados e processos”, completa.
Para a Infineat, o case mostra como o varejo pode transformar uma dor crônica em vantagem operacional. “O desperdício, por muito tempo, foi tratado como um número genérico de quebra. Mas quando conseguimos medir, categorizar e rastrear o que está sendo descartado, abrimos espaço para decisões mais inteligentes e eficientes. O Bistek entendeu isso rápido e estruturou um processo que gera impacto real todos os dias”, afirma Alexandre Vasserman, CEO da startup.
O avanço da iniciativa em diferentes lojas também tem fortalecido uma mudança mais profunda: a integração do combate ao desperdício à rotina de gestão da rede. A lógica da separação, do reaproveitamento e da mensuração de impacto deixa de ser exceção e passa a fazer parte do dia a dia operacional. Não se trata apenas de evitar perdas, mas de consolidar uma cultura de eficiência que enxerga valor onde antes havia apenas descarte.
Fundada há 45 anos em Nova Veneza (SC), a rede Bistek de Supermercados reúne 22 lojas em Santa Catarina e 5 no Rio Grande do Sul. A empresa tem mais de 4,5 mil colaboradores e em 2026 prevê faturar R$ 3,2 bilhões. Além do Centro Empresarial Adelino Ghislandi, que concentra as atividades de recursos humanos, administrativo e financeiro da empresa, o grupo tem ainda um centro de distribuição (CD) com 23 mil metros quadrados às margens da BR-101 e frigorífico próprio.


