O consumo de café no Brasil está passando por uma transformação importante. Mesmo diante da alta de preços, os brasileiros continuam priorizando a categoria e adotando um comportamento de compra mais estratégico para garantir espaço para as marcas de café premium — aquelas com valores pelo menos 20% acima da média do mercado. O principal destaque desse cenário é o avanço expressivo deste nicho entre consumidores de menor renda.
Como o aumento de preços mudou o comportamento do consumidor?
Mesmo com aumentos acumulados de preços superiores a 20% entre os anos de 2023 e 2025, o volume adquirido de café continuou crescendo em todas as classes sociais. Para fazer o orçamento render, os compradores passaram a adotar uma estratégia de racionalização:
- Visitam os pontos de venda com maior frequência;
- Compram menor volume de produto por viagem;
- Combinam marcas de diferentes categorias (tiers) para equilibrar custo e qualidade.
Graças a esse movimento, em 2025, o segmento de café premium alcançou penetração de 34,2% dos lares brasileiros, registrando um salto de 7,3 pontos percentuais em relação a 2024, quando atingia 26,9%.
O crescimento do café premium por classes sociais
Embora o consumo ainda seja liderado pelas classes mais altas, o maior ritmo de crescimento veio da base da pirâmide econômica. Veja os dados do setor:
- Classes AB: lideram o consumo com 40,7% de índice de penetração. O crescimento aqui é sustentado pela entrada contínua de novos compradores ao longo dos últimos três anos.
- Classes C e DE: nas faixas de menor renda (DE), a penetração da categoria passou de 20,6% em 2024 para 29,7% em 2025, registrando o avanço mais acelerado do período.
A estratégia do consumidor de baixa renda
Diferentemente das classes mais altas, o avanço da categoria premium entre os consumidores das classes C e DE ocorre de forma mista. Em vez de manter as compras concentradas apenas em marcas mainstream ou econômicas, esses shoppers passaram a combinar produtos de diferentes faixas de preço. Dessa forma, incorporam opções premium no dia a dia sem abrir mão de alternativas mais acessíveis.
Menos lealdade e mais experimentação no setor de FMCG
Outro comportamento que chama a atenção: os consumidores de café estão menos leais a uma única marca e muito mais abertos à experimentação. Esse movimento de diversificação é ainda mais intenso no café do que o observado no mercado de bens de consumo massivo (FMCG) em geral. Isso indica que a categoria se tornou um espaço de grande flexibilidade nas decisões de compra no varejo.
Essa movimentação mostra que o café mantém sua grande importância cultural no cotidiano do País. No entanto, se no passado, o consumidor buscava fazer sua marca habitual render mais, hoje o brasileiro prefere alternar marcas e testar novas combinações que conciliem qualidade e custo-benefício, mudando a dinâmica da categoria.
Os dados acima fazem parte do Painel de Consumo In Home da Worldpanel by Numerator.



