O ritmo do carnaval movimenta diversos setores da economia e acelera também o consumo de alimentos. É um período em que moradores e turistas lotam mais hotéis, bares e restaurantes durante a folia. Sem falar de famílias, que recebem parentes e amigos em casa e precisam reforçar os itens na geladeira e no armário para as refeições e churrascos. Tem ainda os empreendedores que querem ganhar dinheiro, principalmente com salgados e bebidas, durante a programação festiva.
Segundo um estudo inédito do IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, em parceria com a FIA Business School, o período de carnaval deve provocar um crescimento estimado de 4,9% no volume de negócios do varejo em relação a 2025. Para a gerente de marketing do Novo Atacarejo, Jéssica Almeida, o carnaval “é um momento para diversão e também de oportunidades para fazer negócios e fortalecer a economia das cidades”.
Com 38 lojas entre Pernambuco e Paraíba e uma Central de Distribuição (CD), em Moreno, a rede reforçou estoque e alinhou a logística de abastecimento para atender os clientes. “Já estamos trabalhando Carnaval desde janeiro e a tendência é que as vendas se ampliem e se mantenham aquecidas também durante a folia”, informou Jéssica. Isso para haver a renovação dos itens que estejam faltando nos estabelecimentos ou em casa. Na lista estão alimentos, bebidas – como cerveja, destilados, refrigerantes, sucos – além de itens de higiene, descartáveis e outros itens de bazar como térmicas.
Os dados da pesquisa mostram que o carnaval não reduz o consumo agregado da economia, mas reorganiza profundamente a alocação dos gastos, favorecendo serviços, turismo e consumo imediato, ao mesmo tempo em que freia categorias ligadas a compras planejadas e bens duráveis. Para o varejo, trata-se de um período estratégico, com impactos assimétricos entre segmentos, canais e regiões.
O varejo de serviços e as categorias de consumo imediato apresentam desempenho expressivamente positivo. O estudo aponta que supermercados, itens ligados à festa, higiene pessoal e beleza, além de bares, restaurantes, transporte e hotelaria, concentram grande parte do crescimento no período. As categorias com maior expansão incluem:
- Supermercados e hipermercados: crescimento de 25,9%
- Fantasias e roupas temáticas: alta de 29%
- Bebidas mistas: aumento de 26%
- Protetor solar: crescimento de 20%
- Maquiagem e glitter: alta de 18%
O carnaval segue sendo um dos eventos mais relevantes do calendário econômico brasileiro, com efeitos que vão muito além da festa — e que exigem leitura estratégica, dados e planejamento por parte do varejo.