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Produtos básicos lideram retração (-1,48%) e reduzem pressão sobre a cesta do Abrasmercado

Preço do leite longa vida cai 5,59% em janeiro e recua 16,46% em 12 meses; no arroz, a queda acumulada em 12 meses atinge 27,30%

De Amanda Leiria
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O Abrasmercado — indicador que acompanha a variação de preços de 35 produtos de largo consumo — registrou retração de 0,16% em janeiro. Com o resultado, o valor médio da cesta passou de R$ 800,35 em dezembro para R$ 799,08 em janeiro.

O movimento foi predominantemente influenciado pela queda nos produtos básicos, grupo que exerceu o principal efeito de contenção sobre o índice geral. Entre os destaques do mês estão o leite longa vida (-5,59%), o óleo de soja (-3,32%), a farinha de trigo (-1,63%), o arroz (-1,55%), o açúcar refinado (-1,54%), o café torrado e moído (-1,18%), além do feijão (-0,64%) e da farinha de mandioca (-0,56%). Em 12 meses, o preço do leite longa vida recuou 16,46% e do arroz, 27,30%.

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Também apresentaram recuo o queijo muçarela (-0,63%), o leite em pó integral (-0,54%) e a massa sêmola de espaguete (-0,34%).

Entre as proteínas, o comportamento foi misto. Registraram queda os ovos (-4,48%), o frango congelado (-0,37%) e os cortes bovinos do dianteiro (-0,33%). Em sentido oposto, os cortes bovinos do traseiro (+1,86%) e o pernil (+0,05%) apresentaram elevação, refletindo ajustes pontuais de demanda.

Nos alimentos in natura, o tomate apresentou alta expressiva (+20,52%), movimento associado à maior sensibilidade às condições climáticas e à oferta. A batata subiu 0,66%, enquanto a cebola registrou leve retração (-0,21%).

Nos itens de uso pessoal, houve elevação no xampu (+0,34%), no sabonete (+0,63%), no papel higiênico (+0,65%) e no creme dental (+0,93%). Já na limpeza doméstica, desinfetante (+1,15%), sabão em pó (+0,51%) e água sanitária (+0,43%) registraram alta, enquanto o detergente líquido para louças (-0,36%) ajudou a conter a variação do grupo.

Análise regional

Apesar da retração nacional (-0,16%), o comportamento regional foi heterogêneo. O resultado agregado foi influenciado principalmente pelo Sudeste, que registrou a maior queda do mês (-0,23%), com o valor médio da cesta passando de R$ 820,85 para R$ 818,97.

Nas demais regiões, prevaleceram variações positivas. No Sul, foi observada a maior alta regional (+0,39%), com a cesta avançando de R$ 869,94 para R$ 873,35. O Nordeste registrou elevação de 0,26%, passando de R$ 715,34 para R$ 717,19. No Centro-Oeste, a alta foi de 0,08%, com o valor médio saindo de R$ 753,68 para R$ 754,26.

No Norte, houve estabilidade relativa (+0,03%), com o preço médio variando de R$ 872,82 para R$ 873,07.

Recorte: cesta de 12 produtos básicos recua 1,48%

No recorte de 12 produtos básicos, o movimento foi mais expressivo do que no índice geral. O preço médio nacional caiu 1,48% em janeiro, passando de R$ 340,39 para R$ 335,35, evidenciando alívio mais consistente nos itens de maior peso no orçamento das famílias.

As quedas concentraram-se principalmente nos preços do leite longa vida (-5,59%), óleo de soja (-3,32%), farinha de trigo (-1,63%), arroz (-1,55%), açúcar refinado (-1,54%), café (-1,18%). Também registraram retração o feijão (-0,64%), o queijo muçarela (-0,63%), a farinha de mandioca (-0,56%), a massa sêmola de espaguete (-0,34%) e carne bovina — cortes do dianteiro (-0,33%). A margarina cremosa foi exceção, com alta de 1,14%.

Regionalmente, o Sudeste liderou a retração, com queda de 2,45% e valor médio de R$ 346,70, influenciando de forma relevante o resultado nacional. Na região, as quedas foram mais intensas do que na média do país, especialmente nos preços da carne bovina — cortes do dianteiro (-1,43%), leite longa vida (-7,36%) e do óleo de soja (-5,51%).

O Centro-Oeste recuou 1,21% (R$ 330,03), enquanto o Norte apresentou queda de 0,92% (R$ 411,34). No Nordeste, houve leve alta de 0,06%, com a cesta passando a custar R$ 299,33. Já o Sul registrou elevação de 0,16%, atingindo R$ 360,10.

Capitais e regiões metropolitanas

Entre as capitais e regiões metropolitanas, os menores valores médios da cesta de 12 produtos continuam concentrados no Nordeste. Em janeiro, Recife registrou R$ 297,70, Salvador R$ 297,72, Aracaju R$ 299,62 e Fortaleza R$ 299,81. São Luís apresentou valor ligeiramente superior, de R$ 301,80, mantendo, ainda assim, a região no menor patamar de custo médio do país.

No Centro-Oeste, os preços permaneceram em faixa intermediária, com Campo Grande (R$ 328,09), Brasília (R$ 330,24) e Goiânia (R$ 331,77), indicando relativa homogeneidade regional.

No Sudeste, a cesta apresentou valores mais elevados em relação ao Nordeste e ao Centro-Oeste, com Rio de Janeiro (R$ 342,23), São Paulo (R$ 346,54), Grande Vitória (R$ 347,93) e Belo Horizonte (R$ 350,11), refletindo maior pressão de custos nas grandes áreas metropolitanas.

Já no Sul, Porto Alegre registrou R$ 356,36 e Curitiba R$ 363,84, mantendo-se entre os maiores valores fora da região Norte.

O Norte segue concentrando os preços médios mais elevados da cesta, com Rio Branco (R$ 413,71) e Belém (R$ 408,96). O diferencial permanece associado, principalmente, aos custos logísticos, à distância dos grandes centros produtores e à dependência de abastecimento externo, fatores que impactam estruturalmente o preço final ao consumidor.

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