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Pós-NRF’26 destaca IA, jornadas de consumo e desafios do varejo alimentar no Brasil

Evento promovido pela ABRAS em São Paulo reuniu especialistas e líderes do setor para traduzir as principais tendências do NRF Big Show 2026 e discutir os impactos da tecnologia, da economia e do comportamento do consumidor no futuro do varejo

De Redação SuperHiper
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A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) realizou nesta terça-feira, 27, a Pós-NRF’26, evento que reuniu executivos, especialistas e lideranças do varejo alimentar para apresentar as principais tendências observadas no NRF Big Show 2026, em Nova York. O encontro aconteceu no WTC Events Center, em São Paulo, e teve como objetivo democratizar o acesso aos insights do maior evento mundial do setor.

Na abertura, o presidente da ABRAS, João Galassi, destacou a importância de traduzir o conteúdo da NRF para a realidade do varejo brasileiro. A curadoria do evento ficou a cargo de Grasiela Tesser, diretora executiva da NL, e Eduardo Terra, fundador da BTR Retail e da BTR Varese, que conduziram uma leitura estratégica das tendências globais aplicadas ao mercado nacional.

A inteligência artificial (IA) foi apontada como o eixo central das transformações do varejo. Segundo os especialistas, o grande diferencial da NRF 2026 não foi a novidade tecnológica em si, mas a consolidação de aplicações práticas da IA em toda a cadeia de valor, da infraestrutura ao contato com o consumidor.

Para Grasiela Tesser, a tecnologia deixou de ser um fim e passou a ser um meio estratégico. A executiva ressaltou que a IA está no centro do encontro entre duas jornadas fundamentais: a do varejista, orientada por processos e dados, e a do consumidor, cada vez mais influenciada por experiências personalizadas e fluidas.

Nesse contexto, o conceito de “comércio agêntico” ganhou destaque. A ideia é que agentes de inteligência artificial passem a apoiar decisões de compra, antecipando desejos e simplificando jornadas. Embora a decisão final ainda permaneça com o consumidor, a tendência aponta para um ambiente em que a tecnologia se torna invisível, mas decisiva.

O evento também evidenciou que, no varejo alimentar, a eficiência operacional continua sendo tão relevante quanto a inovação. A precisão do estoque, por exemplo, foi destacada como um fator mais determinante para a experiência do cliente do que soluções tecnológicas sofisticadas, reforçando a necessidade de equilíbrio entre inovação e fundamentos do negócio.

Grasiela Tesser, diretora executiva da NL. Foto: Divulgação/ABRAS

Eduardo Terra, fundador da BTR Retail e da BTR Varese. Foto: Divulgação/ABRAS

Eduardo Terra apresentou a leitura dos “seis insights mais um” da NRF, com a inteligência artificial no centro das transformações. Entre os destaques, estiveram o contexto econômico global em ebulição, as mudanças nas jornadas de consumo, a digitalização dos negócios, o avanço do varejo além da compra e venda, a evolução das lojas físicas e o papel do fator humano no futuro do setor.

O especialista ressaltou que o varejo vive um cenário marcado por instabilidade geopolítica, transformações econômicas e aceleração tecnológica. Ao mesmo tempo, dados apresentados durante o evento indicam desaceleração do crescimento do varejo global e mudanças na participação do comércio digital, o que exige estratégias mais sofisticadas e adaptativas por parte das empresas.

No Brasil, um dos pontos destacados foi a baixa concentração do varejo, com os dez maiores players representando menos de 20% do mercado. Esse cenário, segundo os debatedores, pode ser impactado por fatores como digitalização e reforma tributária, alterando a dinâmica competitiva nos próximos anos.

A visão macroeconômica ficou a cargo do economista Ricardo Amorim, que alertou para profundas mudanças no cenário brasileiro e global. Em sua análise, temas como inteligência artificial, reforma tributária, medicamentos da classe GLP-1 e transformações geopolíticas devem influenciar diretamente o consumo e a estratégia das empresas.

Amorim destacou ainda perspectivas positivas para a economia brasileira, impulsionadas pelo aumento da renda real, pela queda da inflação e pela tendência de redução dos juros. Para o economista, o Brasil se beneficia de sua posição como exportador de commodities e importador de capital, o que pode gerar ciclos de crescimento acima das expectativas do mercado.

Outro ponto relevante foi a transformação do papel do varejo, que passa a atuar além da venda de produtos, incorporando serviços financeiros, mídia e soluções digitais. Essa ampliação do modelo de negócio exige maior integração entre canais físicos e digitais, reforçando a importância da multicanalidade.

Economista Ricardo Amorim. Foto: Divulgação/ABRAS

Presidente da ABRAS, João Galassi e o CEO do Grupo Carrefour Brasil, Pablo Lorenzo. Foto: Divulgação/ABRAS

No encerramento, o CEO do Grupo Carrefour Brasil, Pablo Lorenzo, destacou os desafios de otimizar logística, compras e organização em um cenário cada vez mais complexo. O executivo ressaltou que o atacarejo precisa evoluir para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor e explorar de forma estratégica o ecossistema multicanal.

Para Lorenzo, o consumidor atual transita entre diferentes formatos e canais, o que exige integração entre varejo, atacarejo, clube de compras e e-commerce. Ele também apontou que fatores como eleições e eventos esportivos podem gerar impactos positivos no consumo em 2026, embora o avanço do “agentic commerce” ainda enfrente desafios logísticos e de custo no setor alimentar.

Ao final, a Pós-NRF’26 consolidou-se como um espaço estratégico de reflexão sobre o futuro do varejo. Entre tecnologia, economia e comportamento do consumidor, o evento reforçou que o sucesso do setor dependerá da capacidade de integrar inovação, eficiência operacional e conexão humana, em um cenário cada vez mais orientado pela inteligência artificial e pela complexidade das jornadas de compra.

Confira a cobertura completa do Pós-NRF’26 ABRAS na próxima edição impressa da revista SuperHiper.

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