Entre os 50 maiores supermercadistas do País, a performance da Plurix chama a atenção. No Ranking ABRAS 2025, a empresa passou do 19º para o 11º lugar, com vendas de R$9,4 bilhões em 2024. Para 2025, a previsão é fechar em R$ 10,2 bilhões, o que deve mantê-la na posição atual ou fazê-la avançar ao ‘top 10’.
Enquanto isso ainda é apenas uma possibilidade, os planos para 2026 já foram traçados e revelados em entrevista à Folha de São Paulo. Eles incluem ampliar o uso de inteligência artificial (IA) para mapear o feedback de clientes e, assim, aprimorar mix e serviços; investir em preços competitivos e na marca própria Nida, a partir de melhores negociações com a indústria; e analisar oportunidades de aquisição nos estados onde o grupo atua. A Plurix confirma que há duas novas aquisições no horizonte, que podem ser concluídas em 2026.
Por enquanto, são 180 lojas em 90 cidades de São Paulo, de Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, envolvendo 20 mil colaboradores. Possui também seis centros de distribuição (CDs) em São Paulo e no Paraná.
Em 2025, a empresa abriu 12 lojas e avançou no comércio eletrônico, criando uma operação digital para cada uma das bandeiras. O percentual das vendas on-line ainda é baixo, 2%, mas tem crescido rápido. Também foi criada a marca própria, Nida, presente em todas as bandeiras. Para além do investimento no digital e na expansão, o modelo de negócio da Plurix envolve a conquista de escala na negociação com a indústria.
Gestão
Criada em 2021 pela gestora Pátria Investimentos, a Plurix comprou o controle de empresas familiares donas de supermercados, que enfrentavam problemas de sucessão ou financeiros, agravados com a expansão acelerada na pandemia, que comprometeu o negócio quando a taxa Selic atingiu dois dígitos.
Vale destacar que o Pátria mantém os antigos donos das redes como sócios, que participam da gestão como presidente ou membros do conselho. As oito bandeiras integram cinco conselhos, em cidades diferentes: Avenida (Cândido Mota-SP); Boa e Dom Olívio (Jundiaí-SP); Paraná e Paraná Atacadista (Campo Mourão- PR); Superpão e Compre Mais (Guarapuava-PR); e Amigão 1 e 2 (Paiçandu-PR e Penápolis-SP). Para o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail, a compra do Amigão, em 2024, ajudou a Plurix a dobrar de tamanho.
Os fundadores apoiam as tomadas de decisão, como a escolha dos pontos, a prospecção de terrenos, a cidade para qual expandir, além da adoção de práticas comerciais. O modelo é estratégico para evitar erros das grandes redes, que têm dificuldade em captar nuances regionais. Por exemplo, no sul do Paraná, onde a colônia alemã e italiana é mais forte, por exemplo, a preferência é pelo consumo de carne suína. Já no norte do estado, na divisa com São Paulo, a maior demanda é pelo churrasco bovino. Há cidades no interior paulista onde o que mais sai é o bife na bandeja, mas em outras a maioria prefere carne fatiada na hora. Também existe o apelo de marcas locais, de arroz, açúcar e café, em apresentações variadas.
Diretrizes
Identificar os hábitos e os costumes dos consumidores do interior do País e oferecer os preços e as promoções sob medida, após negociações intensas com a indústria, são diretrizes fundamentais para a Plurix. Nesse sentido, o conglomerado está aumentando o nível de promoção, especialmente a que acontece do dia 1º ao dia 10, quando as redes travam uma guerra de folhetos, inclusive na TV, em busca do salário que cai na conta do cliente.
Desafios
Em relação aos desafios, a Plurix divide com as grandes redes de varejo do país a mesma dificuldade: contratação e retenção de mão de obra. Metade dos trabalhadores deixa a empresa todo ano, um cenário que compromete a produtividade, dizem especialistas. Por isso, já estuda, de perto, a eventual mudança da jornada 6×1, que pode trazer custos adicionais para o varejo, mas também uma redução do turnover de 50%, que é muito alto.
Fonte: Folha de São Paulo