Por André Faria, CEO da Bluesoft
Acabei de voltar de Nova York, onde passei os últimos dias imerso na NRF Retail’s Big Show 2026. Caminhar pelos corredores do Javits Center este ano trouxe uma sensação diferente. Se nos anos anteriores a Inteligência Artificial era “brinquedo novo” que todos queriam mostrar na vitrine, em 2026 a conversa amadureceu.
Por isso, a mensagem que eu trago para o varejista brasileiro é a de que o tempo da experimentação acabou. Entramos, de fato, na era da execução.
Não se trata mais de se você vai usar IA, mas de como você vai fazer sua operação rodar sobre ela (“Running on AI”), garantindo eficiência sem perder a essência humana. Fiz uma curadoria do que vi por lá e apliquei o que chamo de “Filtro Brasil”, trazendo o que realmente para de pé na nossa realidade de margens apertadas e alta competitividade.
Aqui estão os 4 pilares que vão definir o jogo em 2026:
1. A era do “Agentic Commerce”: A IA que compra, não só conversa
O termo da vez é Agentic Commerce (Comércio Agêntico). O Google e o Walmart mostraram que estamos saindo da fase transacional para uma fase intencional. Esqueça aquele chatbot básico. Estamos falando de agentes de IA que entendem o contexto, antecipam demandas e executam a compra sozinhos.
Vi de perto a apresentação da JD Sports, uma gigante com quase 5 mil lojas, que reforçou que o “AI Commerce” não é apenas um canal de vendas, mas parte fundamental da jornada. Mesmo que a compra final aconteça na loja física, a experiência de um checkout fluido via IA molda a percepção da marca.
- O Filtro Brasil: Não precisamos esperar o consumidor ter um robô que faz compras por ele para agir. O aprendizado aqui é o de reduzir a fricção. Se o seu e-commerce ou app ainda exige 10 cliques para repetir uma compra mensal, você está atrasado. Use a tecnologia para encurtar a distância entre a intenção (por exemplo, “preciso de arroz”) e a ação (pedido entregue ao destinatário).
2. IA como infraestrutura: produtividade na veia
Achei fantástico o case da Target. Eles pararam de tratar a IA como vitrine e passaram a usá-la como infraestrutura para dar “superpoderes” aos seus times. Eles disponibilizaram ferramentas de IA para os seus 18 mil funcionários, focando em tirar a carga cognitiva e operacional das costas da equipe.
O objetivo aqui não é o de substituir as pessoas, mas, liberar o tempo delas para o que realmente importa, atender o cliente com excelência. O varejo “muda de patamar” quando a IA simplifica escalas de trabalho e processos de back-office.
- O Filtro Brasil: trazendo para a realidade do Brasil, onde o custo operacional e a rotatividade são desafios constantes, essa é a maior oportunidade. Antes de colocar um robô na porta da loja para encantar seu cliente, use IA no seu ERP para prever ruptura, automatizar a conciliação fiscal ou otimizar a escala da frente de caixa. Afinal, eficiência invisível gera lucro visível.
3. Economia da relevância e criatividade
Comecei o terceiro dia ouvindo Gary Vee, e ele foi cirúrgico. Estamos vivendo a economia da relevância, onde o número de seguidores importa menos do que a profundidade da conexão. Ele e Ryan Reynolds bateram na tecla de que a criatividade é um ativo de negócio, não apenas “coisa do marketing”.
Por outro lado, vi o case do Trader Joe’s, que vai na contramão da tecnologia. Eles não têm self-checkout. Eles apostam no contato humano e transformaram suas sacolas retornáveis em itens de desejo e moda nas ruas de Nova York. Isso prova que tecnologia não é a única resposta para se manter relevante, usando sempre a criatividade como base para trazer novidades para o seu negócio.
- O Filtro Brasil: Não tente ser tudo para todos. A VF Corp (dona da Vans e North Face) ensinou que devemos ser fiéis ao nosso público-alvo, mesmo quando crescemos. Se o seu diferencial é o açougue ou a padaria (como o Whole Foods com seu food service), invista na experiência sensorial e humana ali. Deixe a IA para o que é repetitivo e use o calor humano para o que é relacional.
4. Retail Media: menos telas, mais dados úteis
O Retail Media entrou na “fase adulta”. A Costco deu uma aula de que mídia no varejo não pode ser invasiva. A inovação bem executada é aquela que “parece que sempre esteve ali”. Eles evitam a saturação de telas para não distrair o consumidor durante sua compra, trazendo o retail media de maneira sutil e eficiente.
- O Filtro Brasil: Sei que o varejo alimentar brasileiro está sedento pela receita de Retail Media. Mas cuidado para não transformar sua loja em um “circo de telas” que irrita o cliente. O segredo está na qualidade dos dados. Use o CRM para oferecer a oferta certa na hora certa, respeitando a jornada de compra, em vez de bombardear o cliente com anúncios aleatórios.
Conclusão
A NRF 2026 me mostrou que o futuro do varejo não é apenas sobre a tecnologia mais nova, mas sobre execução. As empresas que vão liderar o próximo ciclo são aquelas que conseguem combinar uma IA poderosa nos bastidores com uma humanidade ampliada na linha de frente.
Na Bluesoft, voltamos com a certeza de que estamos no caminho certo, criando a tecnologia que permite a você, varejista, ter a eficiência da Target e da Costco nos bastidores, para que seu time tenha a liberdade de oferecer o calor humano do Trader Joe’s na frente de loja.
Vamos juntos transformar essa execução em resultado!