Por Giseli Cabrini
Com o avanço das novas gerações e o surgimento de mais canais de compras, a fidelidade às marcas tem sido menor. No entanto, é difícil resistir a um produto que tem “gosto de infância”. Essa aposta na memória afetiva combinada com o potencial da identidade local cria uma conexão emocional que ultrapassa limites regionais e já dá nome a uma nova tendência, a “glocalização”.
Essa tem sido a aposta da Guaxupé Alimentos para se manter na ativa, diversificar o portfólio e crescer, mas conservando a identidade local. “A gente é mineirinho ‘dos bão’ e isso se reflete em nossos produtos e na nossa estratégia”, orgulha-se o atual CEO da empresa, Júlio César Ferreira.
Cada item do portfólio é pensado para valorizar e destacar atributos regionais. É o caso do mel. “O apiário, que produz para nós, tem uma florada diferenciada a partir de espécies nativas, como as plantas assa-peixe e capixingui, bem como dos cafezais”, detalha Ferreira.
A cidade de Guaxupé abriga uma das maiores cooperativas de café do País: a Cooxupé. Ela reúne mais de 20 mil cooperados e recebe grãos produzidos em mais de 330 municípios de sua área de ação: Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Vale do Rio Pardo (no Estado de São Paulo).
Outro item desenvolvido para enaltecer e divulgar o que Guaxupé tem de melhor é a cachaça Iluminada, disponível nas versões prata e ouro. Produzida com leveduras selecionadas e extraídas apenas do coração da destilação, é envelhecida em tonéis de carvalho e grapia (madeira nativa da América do Sul), O rótulo, desenvolvido por um artista plástico mineiro, traz a foto em aquarela da Catedral de Guaxupé. “Ao girar a garrafa, existe um efeito que dá ideia de que você está iluminando a catedral”, explica o CEO.
Sob o comando de Ferreira, desde julho de 2022, a Guaxupé Alimentos tem recuperado o brilho do passado, mas de forma diferente. “Eu não tenho fábrica, mas parceiros. A produção é toda terceirizada. Por isso, atuamos num raio de 300 quilômetros de Guaxupé entre os Estados de Minas Gerais e São Paulo. Mas queremos crescer e expandir nossa marca que, no passado, foi referência para muitos consumidores.”
De 1965 a 1996, a empresa, na época sob o comando do cunhado de Júlio, se dedicou à produção de doce de leite (carro-chefe) e conservas: milho, ervilha e extrato de tomate. Durante esse período, chegou a ser a terceira maior fabricante de doce de leite do País e até a conquistar fama internacional, com exportações de molho de tomate para a Austrália.
A nova estratégia tem dado resultados. “Nós fechamos 2022 com faturamento de R$ 250 mil. Em 2023, após a expansão do portfólio alcançamos R$ 1,35 milhão. Nossa expectativa é encerrar este ano com algo próximo de R$2,7 milhões”, detalha Ferreira.
Expansão do portfólio
Para 2025, haverá muitas novidades. Além da linha Guaxupé composta por doce de leite, goiabada e shanklish (queijo árabe vendido apenas na cidade por não ter o Selo de Inspeção Federal, SIF), a família Natury, que reúne mel, farinha de milho e água mineral (nas versões com e sem gás), vai ser ampliada. “Estamos lançando uma linha de massas inicialmente com as versões espaguete e fusilli, porém o objetivo é ampliar. As outras novidades são uma linha de temperos prontos e uma parceria com a empresa de sorvetes Pimpinella. Os detalhes comerciais ainda estão sendo definidos. Inicialmente, eu entrei em contato com eles para que conhecessem o nosso doce de leite. Além de usá-lo como ingrediente nos sorvetes deles, a ideia é ser um braço comercial da Pimpinella no sul e sudoeste de Minas”, explica o CEO.
A expansão do portfólio faz parte da estratégia do novo momento da Guaxupé Alimentos. “Atualmente 80% do nosso faturamento se concentra na venda de água mineral. No entanto, não queremos ficar dependentes disso uma vez que se trata de um item bastante influenciado pela sazonalidade. Por exemplo, tivemos um verão com temperaturas muito elevadas e mais seco e isso fez com as vendas explodissem. Já somo a segunda marca de água mais vendida no grupo Savegnago. Também conquistamos o posto de marca de água oficial da Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas (Femagri), que reúne mais de 30 mil pessoas em Guaxupé todos os anos”, afirma Ferreira.
Segundo o executivo, a inflação preocupa principalmente devido aos aumentos de custos dos fornecedores e, claro, o efeito no bolso do consumidor. “As pessoas podem ficar sem comprar roupas, entretanto, nunca sem se alimentar. Então, essa diversificação é importante no sentido de ajudar a aumentar o tíquete médio em cada bandeira na qual os produtos da Guaxupé estão presentes. E a ideia é expandir isso.”
Além de supermercados locais, os produtos da Guaxupé Alimentos estão presentes nas redes: Savegnago, Iquegami, Tonin e Zeferino. Os itens também são comercializados em padarias, mercearias, empórios, hortifrútis e armazéns. “Queremos muito ampliar os pontos de venda dos nossos produtos. Atualmente um dos nossos focos está no canal atacarejo”, finaliza o CEO da Guaxupé Alimentos.