Presente em 98% dos lares brasileiros, o café tem sua qualidade diretamente ligada às etapas de torra, moagem e controle realizadas pela indústria. No país, esse trabalho é acompanhado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que realiza aproximadamente 5 mil análises laboratoriais por ano e monitora produtos comercializados no varejo, incluindo marcas de empresas associadas e não associadas.
Atualmente, a entidade certifica 2.017 produtos distribuídos em diferentes categorias: Especial (2,3%), Extraforte (20,7%), Gourmet (23,7%), Superior (14,8%) e Tradicional (38,5%). Entre elas, os cafés do tipo Especial registraram crescimento superior a 300% no último ano. Apesar da expansão, esse segmento ainda representa cerca de 1% do volume total comercializado no varejo.
Outro indicador acompanhado pela associação é a presença de atributos de sustentabilidade nos produtos certificados, que registraram crescimento de 31%.
O objetivo é verificar a conformidade dos produtos com os padrões de pureza e qualidade definidos para o setor, além de identificar possíveis irregularidades.
Nas últimas décadas, a indústria ampliou investimentos em processos de controle, certificação e rastreabilidade. Programas como o de Qualidade do Café da ABIC estabeleceram parâmetros técnicos para classificação dos produtos e contribuíram para reduzir práticas de adulteração historicamente registradas no mercado.
Impacto econômico
A indústria brasileira de café reúne cerca de 1.050 empresas e responde por aproximadamente 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos no país. Em 2025, o faturamento do setor de café torrado alcançou R$ 46,24 bilhões, crescimento de 25,6% em relação ao ano anterior, movimento associado principalmente ao aumento do preço do produto no varejo.
Além do monitoramento de qualidade, a ABIC atua em articulação com órgãos reguladores e entidades de defesa do consumidor para combater fraudes no mercado. Entre os parceiros institucionais estão o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o Procon e o Departamento Estadual de Investigações Criminais.
Segundo Celírio Inácio, diretor-executivo da ABIC, em 2025 foram apreendidas 103,6 toneladas de café torrado fora dos padrões estabelecidos pelos órgãos reguladores. A entidade também pretende ampliar, em 2026, a padronização dos critérios de avaliação sensorial de cafés torrados no Brasil, com a disseminação do Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados ABIC e o estímulo ao uso de ferramentas digitais de classificação pelos avaliadores da indústria.

