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IA no varejo: hype perde espaço para aplicações práticas

Uso da tecnologia passa a se concentrar em eficiência operacional, gestão de dados e estratégias de rentabilidade

De Redação SuperHiper
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Nos últimos anos, eventos do varejo como a NRF, em Nova York, e o Smart Market ABRAS, em São Paulo, ampliaram o debate sobre o potencial da Inteligência Artificial no setor. Inicialmente associada a experiências inovadoras para encantar consumidores — como robôs ou soluções interativas no ponto de venda —, a tecnologia começa agora a ser aplicada de forma mais estratégica nas operações.

Na avaliação de Bruno Reis, gerente de Marketing da DM, grupo de serviços financeiros especializado em gestão de crédito para o varejo, o momento atual é de amadurecimento. “Acredito que o hype da IA esteja diminuindo e agora os executivos estão mais interessados em aplicações reais e práticas. É mais vantajoso usar IA para reduzir e otimizar processos operacionais e repetitivos, com o ser humano ainda à frente do encantamento dos clientes, do que investir em soluções que despertam curiosidade, mas não trazem rentabilidade”, afirma.

Segundo o executivo, áreas como gestão de estoque, logística e precificação tendem a concentrar os principais ganhos de eficiência. Em alguns casos, o alto custo de determinadas soluções tecnológicas pode representar mais entraves do que benefícios. “Há aplicações que realmente podem trazer ganhos importantes, especialmente na otimização de processos e na gestão do negócio”, diz.

Agentes de IA e novas formas de compra

Entre as possibilidades que começam a ganhar espaço estão os chamados agentes de IA, sistemas capazes de automatizar compras com base no perfil do consumidor. Em setores como supermercados, nos quais há recorrência de itens de consumo, a tecnologia pode facilitar a reposição de produtos essenciais.

“Conectando dispositivos a agentes de IA, será cada vez mais simples adquirir itens de primeira necessidade, como alimentos e produtos de limpeza”, afirma Reis. Para produtos com maior nível de diferenciação, no entanto, o papel da tecnologia tende a ser mais consultivo, reunindo avaliações de consumidores, recomendações e informações sobre os itens antes da decisão de compra.

A evolução desses sistemas também traz um novo desafio para o setor. “Não será apenas necessário conquistar os clientes, mas também os agentes. Varejistas e indústrias precisarão desenvolver estratégias para garantir que seus produtos sejam priorizados pelas ferramentas de IA”, afirma.

O papel das lojas físicas

A digitalização também deve influenciar o papel das lojas físicas. Há mais de uma década, discute-se a ideia de que os pontos de venda funcionariam como espaços de experiência para o consumidor. Na visão do executivo, o cenário pode evoluir para um modelo mais voltado à conveniência.

“A tendência é que as lojas se tornem cada vez mais pontos de apoio ao cliente — para consultas, esclarecimento de dúvidas e retirada de produtos — enquanto boa parte da jornada de compra ocorre no ambiente digital”, diz.

Nesse contexto, os vendedores também passam a assumir novas funções. Além de apoiar as vendas, os profissionais deverão atuar como facilitadores na interação entre clientes e tecnologia, ajudando a validar ou complementar recomendações feitas pela Inteligência Artificial.

Base de dados é fundamental

Para que a IA traga resultados concretos, a base de dados das empresas precisa ser sólida e bem estruturada. Informações sobre clientes, fornecedores e tendências de consumo são essenciais para o funcionamento eficiente das ferramentas.

“Sem dados bem organizados, é como um prédio sem colunas de sustentação”, afirma Reis.

Segundo ele, o varejo brasileiro ainda precisa avançar na consolidação de uma cultura orientada por dados. Ao mesmo tempo, desafios como gestão de mão de obra e pressão sobre margens acabam concentrando boa parte da atenção das empresas.

“A Inteligência Artificial precisa estar no horizonte do setor. É uma questão de tempo até que essas ferramentas ganhem escala no varejo nacional, e aqueles que souberem utilizá-las de forma estratégica terão vantagem competitiva”, conclui.

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