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GLP-1 impacta consumo: 9 em cada 10 lares reduzem compras

Doces, snacks e bebidas açucaradas lideram as quedas, seguidos por massas, álcool e ultraprocessados

De Redação SuperHiper
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O avanço do uso de canetas emagrecedoras no Brasil já começa a provocar mudanças concretas na forma como as famílias consomem alimentos e organizam suas rotinas de compra. Pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva mostra que 95% dos domicílios em que há usuários desses medicamentos registraram redução no consumo de pelo menos uma categoria de alimentos ou bebidas, indicando que o fenômeno, inicialmente associado ao debate médico e à perda de peso, começa a produzir efeitos mais amplos no comportamento de consumo das famílias brasileiras.

Para setores como supermercados, atacarejo, restaurantes e indústria de alimentos, os resultados indicam um movimento de adaptação nos padrões de consumo das famílias, com mudanças na frequência de compra de diferentes categorias e na forma como as pessoas organizam sua alimentação no dia a dia.

Menos açúcar, gordura e carboidratos

A redução no consumo aparece distribuída por diferentes itens da alimentação cotidiana. Entre os domicílios em que houve diminuição no consumo de alimentos ou bebidas, as categorias que mais registraram queda foram doces, snacks e salgadinhos (70%), bebidas açucaradas (50%), massas e outros carboidratos (47%), bebidas alcoólicas (45%) e alimentos ultraprocessados (42%).

Mais proteínas e perecíveis

Ao mesmo tempo, também aparecem sinais de reorganização do consumo em direção a outros tipos de alimentos. Em cerca de 4 em cada 10 domicílios, houve aumento no consumo de pelo menos uma categoria, com destaque para proteínas magras (30%), frutas e vegetais (26%), alimentos integrais (25%) e água ou chás sem açúcar (22%).

A percepção social sobre esse movimento também é elevada. Entre os brasileiros que conhecem as canetas emagrecedoras, 93% acreditam que esses medicamentos estão mudando a forma como as pessoas se alimentam no dia a dia, sendo que 40% avaliam que essa mudança é intensa.

Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, os dados indicam que o fenômeno das canetas emagrecedoras começa a produzir efeitos que vão além da experiência individual de quem utiliza o medicamento. “O que os dados revelam é que o fenômeno tem uma segunda camada. Além da aprovação de quem usa, existe uma mudança concreta no padrão de consumo. Redução de ultraprocessados, menos bebidas açucaradas, menos conveniência e, em alguns casos, queda de gasto. Isso significa que a discussão não é só sobre um medicamento, é sobre comportamento. Se o acesso ampliar, o mercado precisa se preparar para um consumidor que compra diferente. E, como sempre, quem entende primeiro essa mudança consegue responder melhor, seja na indústria, no varejo ou nas políticas públicas.”

Impactos dentro e fora do lar

As mudanças também aparecem na forma como as famílias organizam suas refeições fora de casa. Entre os domicílios em que há uso das canetas emagrecedoras, 47% registraram diminuição na frequência de ida a restaurantes, enquanto 56% apontam redução nos pedidos de delivery e fast food. Um dos fatores que ajudam a explicar essas mudanças é a diminuição do apetite associada ao uso do medicamento. Em 8 de cada 10 domicílios onde há moradores que utilizam as canetas, os entrevistados relatam ter percebido redução do apetite após o início do uso.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva entre 3 e 9 de fevereiro de 2026, com 1.004 entrevistados em todo o país, por meio de questionário digital de autopreenchimento. A amostra foi ponderada por região, gênero, idade e renda, de acordo com o perfil da população brasileira medido pela PNAD/IBGE.

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