Por Giseli Cabrini
As “collabs” para aquecer a seção de bazar estão em expansão. Trata-se de um modelo cocriado, em que cada parte — varejo alimentar e parceira — contribui com uma frente complementar. E com uma novidade: a diversificação de portfólio. Além de utilidades domésticas e itens para organização e decoração, outras categorias estão ganhando espaço nessas parcerias, entre elas os vinhos.
De um lado está a rede supermercadista ou atacadista, a responsável por toda a operação do espaço — desde o recebimento e reposição até o atendimento e o caixa. Os produtos são comprados diretamente pelo parceiro, integrados ao sortimento da loja e vendidos normalmente nos caixas da operação, como qualquer outro item do mix. Do outro, fica a parceira que participa com o sortimento de produtos, orientação técnica para exposição e abastecimento, além do suporte em estratégias de ativação e marketing.
Segundo a Vestcasa, responsável pela criação desse formato, nos últimos 12 meses (até o fim de janeiro de 2026), a categoria de vinhos já ultrapassou a marca de 3 milhões de garrafas vendidas nos últimos 12 meses, refletindo a estratégia de importação direta e marcas próprias. Os vinhos também são vendidos em supermercados e atacadistas independentemente das “collabs” envolvendo os artigos de cama, mesa, banho e decoração. Para a empresa, o varejo alimentar representa um canal adicional de distribuição e uma chancela da qualidade dos rótulos.
Expansão
Para 2026, a empresa projeta manter o ritmo de crescimento, com foco na ampliação das “collabs”, no fortalecimento do clube de compras e na continuidade dos investimentos em logística e eficiência operacional. A expectativa é ampliar ainda mais a presença nacional, inclusive em municípios de pequeno porte, consolidando a marca como uma das principais plataformas de consumo para o lar no Brasil.
Apenas, em janeiro, foram inauguradas duas unidades dentro da Coop Supermercados em São José dos Campos (SP) nas lojas Santana e Novo Horizonte. E, no início de fevereiro, houve a abertura do espaço da marca no Adonai Recreio, no Rio de Janeiro.
Até o fim de 2025, a Vestcasa somava 150 lojas próprias, 35 megalojas e cerca de 250 operações no modelo de “collab”, em parceria com várias redes varejistas. Entre as mais recentes estão: Grupo Extrabom e Atacado Vem, no Espírito Santo; Bahamas Mix, em Minas Gerais; Atacarejo Arco-Vita, em Pernambuco; e Coop Supermercado, em São Paulo.
Os Espaços Vestcasa reforçam a aposta da empresa no modelo de “collabs” dentro de supermercados e atacadistas. A companhia registrou um crescimento médio anual em torno de 30% no faturamento em 2025, impulsionado principalmente por esse formato, e agora estabelece uma meta ambiciosa: fazer com que esse tipo de operação represente até 50% da receita total da rede nos próximos dois anos.
Atualmente, as “collabs”, que são espaços exclusivos da Vestcasa nos corredores e nos estacionamentos dos supermercados e atacados, já respondem por cerca de 20% do faturamento da empresa. Lançado em 2023, o modelo se tornou o principal vetor de expansão da marca por permitir crescimento acelerado com menor investimento. Enquanto uma loja tradicional da rede tem, em média, 2 mil metros quadrados, as “collabs” operam em áreas de 200 a 300 metros quadrados, aproveitando a estrutura já existente dos parceiros, permitindo ao consumidor adquirir seus produtos diretamente nos caixas dos atacadistas e nos supermercados participantes.
Modelo
Inspirado no modelo estadunidense do Costco, a Vestcasa foi fundada em 2008, e opera com um clube de compras e já ultrapassou a marca de 1 milhão de membros pagantes. A proposta é baseada em escala, verticalização, eliminação de intermediários e foco radical em custo-benefício. Hoje, cerca de 90% do portfólio da companhia é composto por marcas próprias, produzidas internamente ou encomendadas diretamente de fábricas no Brasil e no exterior.
“Nosso foco sempre foi vender produtos de alta qualidade pelo menor preço possível. Para isso, eliminamos intermediários, compramos direto das fábricas, operamos com escala e cortamos custos que não agregam valor ao consumidor. Essa lógica sustenta nosso crescimento e nos permite democratizar o acesso a produtos que antes eram restritos a poucos”, diz o fundador e CEO da Vestcasa, Ahmad Yassin.
Logística
Para sustentar o avanço acelerado em volume, a Vestcasa também ampliou de forma significativa sua estrutura logística em 2025. A empresa opera atualmente com quatro centros de distribuição — dois em Santa Catarina, um em Atibaia e outro no interior de São Paulo — e dobrou sua área logística total, passando de 25 mil para 50 mil metros quadrados. Parte dessa operação é dedicada exclusivamente à movimentação de pallets e contêineres fechados, sem fracionamento, reforçando a estratégia de escala e eficiência.
Outro diferencial é a proximidade com os portos, especialmente em Santa Catarina, onde a companhia mantém terreno próprio para estocagem de contêineres, o que garante maior controle sobre prazos, custos e disponibilidade de produtos importados.