Composta por massas, biscoitos, pães e bolos, o comportamento da cesta Abimapi em 2025 revela tendências sobre o consumo desses itens pelos brasileiros o reflexo disso para a jornada de compra dessas categorias nos pontos de venda. Segundo dados da Worldpanel by Numerator, a penetração nos lares cresceu 1,4% na base de compradores, atingindo 99,7% dos domicílios.
No entanto, o setor enfrenta o desafio da retração nos volumes: houve uma queda de 2,1% e, assim, o indicador fechou em 4 milhões de toneladas. Por sua vez, o faturamento avançou 3,2%, encerrando o ano com uma receita de R$ 70,5 bilhões, impulsionado pelo valor agregado e ajustes de mercado (dados NielsenIQ).
O novo perfil do consumidor e a estratégia no PDV
O estudo revela que o crescimento do setor é fortemente impulsionado por consumidores maduros (50+) e novas configurações familiares, como pessoas que moram sozinhas. Além disso, o consumidor tem utilizado estratégias para equilibrar o orçamento. A frequência de compra aumentou 10,7%, mas o gasto por viagem diminuiu. Ou seja: o brasileiro visita o ponto de venda mais vezes, porém, com a cesta mais enxuta.
Para o presidente-executivo da Abimapi, Claudio Zanão, a indústria está respondendo a esse cenário ao oferecer monoporções e embalagens reduzidas, além de investir em inovação para atender à demanda por saudabilidade com opções ricas em fibras, sem glúten e proteicas. “Mas não podemos esquecer que a indulgência continua sendo um fator decisivo na compra do brasileiro.”
Performance por categoria
Biscoitos e massas: queda em volume, alta em valor
- Biscoitos: faturamento de R$ 34,1 bilhões (+1%), mas com queda de 5,6% no volume (1,5 milhão de toneladas).
- Massas: faturamento de R$ 15,5 bilhões (+2,9%), com ligeira retração de 1,2% no volume.
Destaques: as duas maiores categorias da cesta sentiram a retração física, mas mantiveram a relevância financeira. No caso das massas, a praticidade conquistou os consumidores, com as embalagens de até 500g crescendo 5,1%. Nas ocasiões especiais, a massa seca tipo caseira teve um aumento de 4,7% no volume por viagem no fim do ano.
Pães industrializados: crescimento real Diferentemente das massas e biscoitos, os pães conseguiram crescer nos dois indicadores:
- Faturamento: R$ 16,5 bilhões (+6%).
- Volume: 793 mil toneladas (+1,2%).
Destaques: o consumo de versões de maior agregado, premium e artesanais ajudou a sustentar esses números positivos: pão tipo brioche cresceu 58,3%, e tipo tortilha teve avanço de 46%. A versão artesanal ganhou 11,5% de penetração, enquanto o tipo branco artesanal cresceu 25,8%. O consumo no café da manhã representou 72% das ocasiões, mas o jantar também se consolidou, dobrando de tamanho e superando o lanche da tarde.
Bolos e misturas: resiliência e indulgência
- Bolos: aumentos de 9,6% em valor e 2,6% em volume.
Destaque: a categoria se adaptou às novas configurações familiares, com as monoporções (até 199g) garantindo o crescimento: essas embalagens ganharam +10,3% de penetração e geraram uma frequência de compra 70% maior frente aos tamanhos maiores. Entre os sabores preferidos pelo consumidor, estão chocolate, gotas de chocolate e laranja, que juntos representam 45,5% do volume da categoria em 2025.
- Misturas para bolos: crescimento de 14,9% em valor e 6,1% em volume.
Destaque: as opções indulgentes brilharam em 2025. Misturas para brownie cresceram 23%, petit gateau (27%), e sabores como brigadeiro tiveram avanço de 102%. Além disso, o nicho especial de sem glúten teve elevação de 44,8%.