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As novidades da Euroshop que o varejo brasileiro pode aproveitar no seu dia a dia

Em artigo especial para a SuperHiper, André Faria da BlueSoft traz as novidades apresentadas na Alemanha

De Redação SuperHiper
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Por André Faria, CEO da Bluesoft

Estive recentemente em Düsseldorf, na Alemanha, participando da EuroShop 2026. Organizada pela Messe Düsseldorf GmbH, ela é simplesmente a maior feira de varejo do mundo. Estamos falando de um evento gigante que comemorou 60 anos e acabou reunindo mais de 1.800 expositores distribuídos por 14 pavilhões, cobrindo tudo, desde tecnologia a refrigeração, passando por design e food service.

Na Bluesoft, temos a missão de oferecer a melhor e mais moderna tecnologia de gestão para o médio e grande varejo brasileiro, e por isso participar de eventos como esse, vendo as soluções que entrarão em operação nas melhores redes do mundo nos próximos anos, é super relevante para nós!

Após dias intensos de conversas profundas e muito networking, compartilho as principais reflexões e tendências que a EuroShop 2026 me trouxe:

A IA deixou o “buzzword” de lado e virou arquitetura central

Seguindo a mesma tendência da NRF, não vi mais projetos isolados de IA ou inovações apenas para fazer vitrine. O que vi foram arquiteturas robustas. A IA no varejo está cada vez mais integrada ao planejamento, à execução de loja, à prevenção de perdas e ao pricing.

Um ponto alto foi ver o avanço da “Agentic AI” (sistemas multiagentes), além de ferramentas que simulam fluxos de clientes e iluminação em 3D antes mesmo da construção física da loja. O debate saiu de “IA para personalizar” e foi para IA para “executar”, reduzindo tempo, ruptura, perdas e custo por transação.

Na prática, vi etiquetas eletrônicas com preço dinâmico que reduzem o valor do produto próximo ao fechamento da loja, incentivando a compra por impulso. Vi também geladeiras de bebidas com fechadura inteligente, que são liberadas para maiores de 18 anos por meio do reconhecimento facial, um sistema que ainda mede o tempo da compra e a quantidade para identificar possíveis fraudes ou roubos.

O varejo está, cada vez mais, orientado por dados e aumentando a coleta e tratamento deles em todas as ações do dia a dia do shopper.

A revolução do checkout e o modelo “Headless”

Outra constatação forte: o checkout deixou de ser uma “estação fixa” e virou uma plataforma conectada, combinando autoatendimento, mobile checkout e carrinhos inteligentes.

Vi a consolidação da arquitetura API-first (Headless Checkout), que separa totalmente o backend transacional (regras de negócio, estoque, fiscal, etc) da experiência de frontend (PDV, totens de compra, etc). Isso permite a criação de novas frentes, sem alterar o core do sistema, agilizando o lançamento de uma interface nova para o self-checkout, por exemplo.

A loja física é a nova plataforma de mídia (Retail Media)

Passando um pouco pelo chão da loja, as Retail Media Networks estão se consolidando de forma acelerada. Vi essa tendência a todo vapor com telas na ponta de gôndola e em ambientes refrigerados. Essa integração com dados reais de venda permite a monetização do espaço físico, criando uma nova linha de receita para os supermercados.

Outro grande destaque foi a evolução das etiquetas eletrônicas, com telas touchscreen. Elas permitem rápida navegação para consulta de ingredientes, exibem vídeos promocionais e possuem QR Codes, possibilitando que o consumidor consulte a disponibilidade de outros sabores que não estão na loja física, mas que a rede possui estoque no e-commerce, realizando a compra online com entrega em domicílio. Oferecer essa comodidade imensa na nossa realidade evita perder a venda quando o sabor preferido do cliente está em falta, por exemplo.

Foco no “Retrofit” e na escassez de mão de obra

Um ponto de atenção na Europa é a forte pressão econômica, o que está levando os varejistas a investirem menos em expansões agressivas e mais na otimização (“retrofit”) das lojas já existentes. A adoção de tecnologias para substituir funções que sofrem com a escassez de profissionais aparece como o grande suporte para aliviar as equipes.

Chamou muito a minha atenção o uso de sensores inteligentes na padaria. A tecnologia identifica a ruptura e envia mensagens tanto para o consumidor quanto para os colaboradores sobre a produção daquele item, informando data de validade e estoque. Além disso, sensores que detectam a necessidade de reposição e equipamentos projetados para garantir o FIFO (First In, First Out) são essenciais para diminuir perdas por vencimento.

Nova fidelização, economia da assinatura e UGC

A forma de reter o cliente também está mudando. Vi as estratégias saindo do simples desconto para focar em geração de valor e na adoção de modelos de assinatura, gerando receita recorrente.

Curiosamente, como contraponto ao excesso de automação, o uso de Conteúdo Gerado pelo Usuário (UGC) de forma autêntica, está ganhando muita força para manter a relação humana com a marca, trazendo uma credibilidade maior para os produtos.

Sustentabilidade além do marketing

A sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso bonito. Em Düsseldorf, vi um foco gigante na refrigeração com gases naturais, uso de materiais reciclados, reuso de mobiliário e eficiência energética como prioridade absoluta de CAPEX.

Como foi muito debatido, refrigeração, energia e gestão predial deixam de ser apenas iniciativas ESG e passam a ser margem e resiliência financeira para o varejo. E isso é fundamental, já que vivemos em um tempo em que o consumidor está cada vez mais atento ao histórico ESG das empresas.

Food Service como estratégia

A loja virou um destino. Os consumidores não vão ao supermercado apenas para fazer suas compras e irem embora; agora, eles buscam experiência, permanecendo mais nas lojas e criando um senso de comunidade.

O Contraste de Mercado: Global vs. Brasil

Por fim, uma das maiores reflexões que trago é o abismo entre o mercado global e o brasileiro. Lá fora, impera a estratégia “Best-of-Breed”, onde o varejista usa de 10 a 15 softwares diferentes (um para a frente de caixa, outro para a padaria, outro para a escala de funcionários, etc) que dependem de integrações complexas e caras.

Aqui no Brasil, devido à nossa extrema complexidade fiscal e tributária, a estratégia vencedora é a “All-in-One”. É aqui que os ERPs verticalizados, como o da Bluesoft, mostram a sua força, já que, nós conseguimos resolver desde o recebimento da carga até o cupom fiscal, com módulos de PDV, açougue e inventário rodando de forma nativa e em um banco de dados único, com custo muito menor de manutenção para nós e para os nossos clientes.

Düsseldorf foi intensa. Grandes tendências e muitos aprendizados. Os próximos anos do varejo passam por integrar arquitetura, dados e IA com muita disciplina operacional. O desafio agora não é descobrir a próxima grande novidade, mas sim executar com excelência o que a tecnologia já nos oferece.

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