Por Renato Müller
A Amazon aprofundou a revisão de seu portfólio de soluções tecnológicas para o varejo. Depois de ter anunciado o fechamento das lojas Amazon Go e Amazon Fresh, a empresa disse que irá descontinuar o Amazon One, sistema de leitura da palma da mão, no mês de junho.
A tecnologia deixará de ser usada para pagamentos em lojas, estádios, academias e outros negócios, mas ainda será usada por enquanto no setor de saúde. De acordo com a Amazon, a medida foi tomada devido à limitada adoção do sistema pelos consumidores, em um ambiente em que também é possível pagar sem dinheiro de diversas outras maneiras, incluindo QR Codes, carteiras digitais e por aproximação.
Em um post em seu site, a Amazon afirmou que os dados pessoais atrelados ao Amazon One (nome, telefone, informações biométricas e meios de pagamento associados) serão deletados depois do fim do serviço.
A Amazon lançou o Amazon One em setembro de 2020, em meio à pandemia, como uma tecnologia proprietária para manter o distanciamento social. O sistema permitiu o uso da palma da mão como uma assinatura biométrica única, tanto para pagamentos quanto para substituir cartões de fidelidade, e hoje pode ser encontrado em todas as lojas Whole Foods nos Estados Unidos, além de localidades de alto tráfego e exigência de pagamentos rápidos, como estádios de futebol.
Essa não é a primeira vez (nem será a última) em que a Amazon descontinua alguma inovação lançada com pompa e circunstância. Sua abordagem “falhe rápido e aprenda”, que faz parte dos princípios da companhia, já levou ao encerramento de outros investimentos relevantes, como o Fire Phone, em 2014; os Dash Buttons (que permitiam a compra de produtos para casa apenas clicando em um botão) em 2019; e o Amazon Halo (um wearable de monitoramento de saúde e fitness), em 2023.
O anúncio do encerramento do serviço faz parte de uma reorganização global do negócio da Amazon, que pretende priorizar investimentos em áreas com potencial mais imediato de crescimento. A demissão de 16 mil pessoas em cargos corporativos faz parte dessa revisão estratégica, que pretende tornar a companhia menos burocrática e mais ágil.