O Abrasmercado, indicador que acompanha a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, encerrou 2025 com um movimento de acomodação dos preços dos alimentos, marcado por ajustes graduais nos preços das carnes e proteínas e por quedas relevantes nos produtos básicos — ambos os grupos com peso significativo no consumo e no orçamento das famílias.
O indicador encerrou o ano com variação acumulada de 0,73% e preço de R$ 800,35 na média nacional.
“Entre os fatores que ajudaram a equilibrar os preços ao longo do ano estão condições climáticas mais favoráveis, safras recordes de grãos e um câmbio mais estável, com reflexos diretos sobre o custo da alimentação no domicílio”, analisa o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.
Leia também:
Entre as carnes e proteínas, as variações acumuladas no ano foram moderadas. O pernil encerrou 2025 com queda de 1,84%, enquanto os cortes bovinos apresentaram elevações de 1,30% no traseiro e 1,55% no dianteiro. O frango congelado também registrou alta contida (1,60%), enquanto os ovos concentraram a maior elevação do grupo (3,98%).
Nos produtos básicos, o comportamento foi amplamente favorável ao consumidor e decisivo para o alívio da cesta em 2025. O arroz liderou as quedas no acumulado do ano, com retração expressiva de 26,55%, seguido pelo leite longa vida (-12,87%), feijão (-4,21%), açúcar refinado (-1,55%), farinha de mandioca (-1,35%) e farinha de trigo (-0,24%).
Em sentido oposto, o café torrado e moído apresentou a maior alta do grupo (+35,64%), seguido pelo óleo de soja (+3,23%).
Entre os alimentos in natura da cesta, a batata acumulou queda de 13,65% no ano, enquanto tomate (+4,39%) e cebola (+3,14%) registraram altas.
Nas demais categorias da cesta, prevaleceram movimentos de elevação. Nos produtos de uso pessoal, houve reajustes no xampu (+7,74%), creme dental (+7,61%), sabonete (+4,55%) e papel higiênico (+2,49%). Já na limpeza doméstica, destacaram-se as altas do desinfetante (+7,60%), do detergente líquido para louças (+5,74%), da água sanitária (+5,48%) e do sabão em pó (+2,21%).
Análise regional
A região Norte registrou a maior alta no ano (+1,36%), com o valor da cesta encerrando em R$ 872,82. Na sequência, aparecem o Nordeste (+1,31%), com preço médio de R$ 715,34, o Sudeste (+1,20%), com valor médio de R$ 820,85, e o Sul (+0,44%), onde a cesta atingiu R$ 869,94. O Centro-Oeste foi a única região a registrar retração no período (-0,47%), com preço médio de R$ 753,68.
Recorte 12 produtos: preços encerram ano em queda nas cinco regiões
Arroz (-26,55%) e leite longa vida (-12,87%) lideram as quedas no acumulado do ano
No recorte de 12 produtos básicos, o preço médio nacional registrou retração de 1,40% em 2025, encerrando o ano em R$ 340,39.
Entre os itens básicos, apresentaram redução de preços o arroz (-26,55%), o leite longa vida (-12,87%), o feijão (-4,21%), o açúcar refinado (-1,55%), a farinha de mandioca (-1,35%), a farinha de trigo (-0,24%) e a massa sêmola de espaguete (-0,15%).
Em sentido oposto, registraram alta o café torrado e moído (+35,64%), a carne bovina – cortes do dianteiro (+1,55%), o queijo muçarela (+1,92%), o óleo de soja (+3,23%) e a margarina cremosa (+9,90%).
Na análise regional da cesta reduzida, o Nordeste apresentou o menor valor médio, de R$ 299,15, com retração de 0,32%. Em seguida, aparece o Centro-Oeste, com preço médio de R$ 334,08 e a maior queda do período (-3,24%). No Sudeste, a cesta ficou em R$ 355,41, após recuo de 0,49%, enquanto o Sul registrou valor médio de R$ 359,51, com queda de 1,00%. O Norte manteve o maior valor absoluto da cesta, em R$ 415,18, apesar da retração de 0,27%.
Capitais e regiões metropolitanas
Entre as capitais e regiões metropolitanas, os menores valores médios da cesta de 12 produtos foram observados no Nordeste, com São Luís (R$ 296,25), Fortaleza (R$ 297,92), Salvador (R$ 299,83), Aracaju (R$ 300,03) e Recife (R$ 301,74), consolidando a região como a de menor custo médio do país.
No Centro-Oeste, os preços refletiram maior homogeneidade regional: Brasília (R$ 332,11), Goiânia (R$ 333,64) e Campo Grande (R$ 336,49).
No Sudeste, a cesta apresentou valores mais elevados, partindo de São Paulo (R$ 351,90), seguido por Belo Horizonte (R$ 355,33), Grande Vitória (R$ 355,73) e Rio de Janeiro (R$ 358,68).
No Sul, os preços foram: Curitiba (R$ 356,35) e Porto Alegre (R$ 362,67). Já o Norte concentrou os maiores preços médios da cesta: Belém (R$ 414,50) e Rio Branco (R$ 415,86), resultado associado, principalmente, aos custos logísticos, à distância dos grandes centros produtores e à dependência de abastecimento externo.